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17 de outubro de 2012

Literacias

... sempre na agenda das nossas preocupações?
Se alguém lhe dissesse, assim sem mais, que um em cada cinco jovens de 15 anos e quase um em cada cinco adultos europeus tem dificuldade em ler o mundo, ou dito cruamente "não tem as competências necessárias para funcionar, com sucesso, numa sociedade moderna"... talvez estranhe e pergunte se não há algum equívoco em tal afirmação; ou talvez, ainda, lhe ocorra pensar que esse é um problema de países em desenvolvimento, mas não de países da União Europeia.
Segundo as conclusões de um relatório sobre (i)literacia recém publicado, intitulado: "Aja agora mesmo!", da autoria  de um grupo de especialistas liderados pela princesa Laurentien, da Holanda, uma das principais conclusões que fazem soar o alarme prende-se com os problemas de iliteracia funcional, associada a baixos desempenhos na leitura e na escrita, revelados pelos europeus. Ressalta da leitura dessas conclusões, a que chegaram os investigadores, a ideia de que há uma série de conceitos errados ou mitos que urge re-analisar e sobretudo desmistificar, preparando-nos para ações mais incisivas neste domínio.
Os apelos tendentes ao incremento das ambições nesta matéria, por parte dos decisores europeus, perpassa nas páginas do relatório síntese produzido (consulte aqui): "A Europa deve aumentar as suas ambições, visando a literacia funcional para todos os cidadãos. Isto significa empenhar-se numa visão em que tudo o que seja inferior a 100 % de literacia funcional é inaceitável. Os governos, as escolas, as entidades patronais e as organizações não-governamentais (ONG) devem empenhar-se em atingir este objectivo." (Aja agora mesmo, 2012: p.7).
Vale a pena chamar à colação, sempre e sempre, o papel das Bibliotecas Escolares (e, naturalmente, também das Públicas) no que concerne às soluções para este problema. Elas fazem parte, incontornável, da solução do problema. 
Quem disse que as bibliotecas, bibliotecários e professores bibliotecários, estão a ser substituídos pelos motores de busca ou pelo vasto mundo da Net? Não se apresse nos vaticínios futuristas, a não ser que queira ignorar o acesso a uma informação criteriosamente validada, ao processamento crítico e reflexivo da informação, orientado para a assunção significante de conhecimento e, por conseguinte, de formação. Não que não seja importante essa poderosa rede a que acedemos todos os dias. De facto, as competências em literacia da informação, por exemplo (mas há outras), são de tal ordem importantes que deveriam marcar quotidianamente a agenda de todos quantos trabalham em educação, para que não se diga a jusante que estamos face a uma geração do "corta, copia e cola". Conhecemos uma escola cujo Projeto Educativo inclui, no seu corpus de problemáticas e objetivos a atingir, a aposta nas Literacias (alguns dos leitores deste post não terão dificuldades em identificá-la); uma boa prática, e que é profícua, pois desde logo tem consciência do problema e têm-no assumido. Não pode é baixar a guarda, pois esta é uma tarefa incessante. 
Para terminar, voltando às fontes, fica uma sugestão: vale de todo a pena (re)visitar o artigo do Público, publicado no dia 15 deste mês, da autoria de Rita Pimenta, com o sugestivo título: "Há uma princesa preocupada com a iliteracia", ou aceder ao relatório síntese sobre iliteracia na U.E. (aqui ou aqui). / JD

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