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8 de julho de 2013

Alcaides - uma muito especial sugestão de leitura

É para nós um prazer, neste espaço onde se fala de leitura, de livros, de bibliotecas, de vida na biblioteca da ESAF, poder sugerir também algo que germinou e nasceu dentro do Agrupamento de Escolas Alcaides de Faria. Referimo-nos ao primeiro número da nova revista do agrupamento, a revista escolar Alcaides. Sim, esta sugestão reveste-se de um carinho muito especial, subjetivo é certo, como quase tudo afinal, pois trata-se de suscitar a leitura de uma publicação em que também participamos e vimos nascer. Por isso, leitor, fica a declaração de princípio.
Lançada na noite de sexta-feira, dia 5 de julho, aqui na escola sede (ESAF) do Agrupamento, e já à venda na papelarias dos dois pólos organizacionais, como ainda numa das bancas da Feira do Livro de Barcelos (a decorrer até ao fim desta semana, 14/07), a Alcaides é uma revista onde encontramos textos, par a par, que vão do género ensaístico e opinativo à escrita infanto-juvenil, sem descurar a narrativa ou a poesia, em coabitação harmoniosa com trabalhos de grande força e beleza visual. Na sequência de um texto narrativo, de um poema ou de um artigo, não raro se deparará com ilustrações de vária natureza, umas em articulação com o que é dito, outras vivendo per se, como obras que vale de todo reter o olhar, melhor dizendo fruir, pois de desfrute também se trata. Aguarelas, desenhos, pinturas, instalações e outras formas de intervenção artística encontrará neste objeto gráfico de belo e consistente design, no decurso da viagem que fizer ao longo das suas 152 páginas. Verá que a incursão neste bosque das letras, dos pontos, linhas e planos, graciosamente envolvido numa variagada gama de cores, não será viagem perdida.
Mas atentemos no título. Alcaides, para quem conhece a História, ou quem já leu Alexandre Herculano em Lendas e Narrativas (os Alcaides de Faria), é como que uma marca registada não só nos pergaminhos da história da nossa região, mas também no próprio imaginário coletivo das gentes deste concelho atravessado pelo Cávado. Alcaides, agora nome de revista, faz também parte da designação do Agrupamento de escolas onde ela nasce. Quanto à tessitura desta revista, tece-se da colaboração de um grande número de alunos (de diferentes escolas do Agrupamento), com os seus textos de opinião, de escrita crivativa, poéticos, visuais... e também, naturalmente, da colaboração de vários professores e outros elementos da comunidade educativa, que acreditam na revista escolar como um eco legítimo de muitas das idiossincrasias que definem a escola, eco do valor e das potencialidades de tantos alunos que, para além da sala de aula, onde são bons, mostram criatividade e envolvimento.
Logo após o insight da capa com ressonâncias moleskinianas, sobrevoamo-la rapidamente, sentindo-lhe o toque, a textura da capa e do papel que lhe lhe serve de miolo... e a par do cheiro da tinta mesclada na fibra vegetal, há todo um pequeno universo de cor onde apetece mergulhar, enquanto o folhear das folhas corre célere. Depois, voltamos mais calmamente ao princípio, ou talvez ainda não, pois para aqueles que contribuiram com um (ou mais textos) atalha-se caminho até à página que o guarda para reler ou rever. Já mais serenos, damo-nos conta de que a publicação se divide em oito separadores, como de oito capítulos se tratando, o Futuro - futuros, logo a a abrir, o Júnior a fechar, e pelo meio a Educação, a Escrita, o Ensaio, as Artes Visuais e a Escola Viva e Pais e EEs. De separador em separador, vamos encontrando motivos para ler e ver com olhos de ver, são vários os textos, ora de alunos, ora de professores, uns de temática mais reflexiva e crítica, outros mais cândidos, que não menos importantes, na mensagem que transmitem. Se há páginas onde acompanhamos reflexões aprofundadas sobre o futuro, o devir e o papel da utopia, onde ponderamos ideias acerca da educação ou da vida, outras levam-nos até aos meandros da poesia, ou envolvem-nos na trama de uma breve história; outras ainda fazem eco de algumas iniciativas desenvolvidas em contexto escolar; outras também mostram o labor de áreas de intervenção que marcam a afirmação da escola vista como um todo. E os motivos para a leitura textual, gráfica e pictórica sucedem-se. Um conselho: deixe-se ir, agora que as férias já não parecem ser uma miragem, mas estão quase aí. 
Se bem que não falte vontade para dissecar um ou outro texto, falar da sua mais ou menos sólida massa argumentativa, do estilo e da beleza de escrita (e acredite, há momentos de escrita que apetece reler e sentir o sabor das palavras... não, não as dos profssionais da escrita, tão constantes no mainstream literário, mas de alunos do 12.º, do 10.º ou até do 1.º ano de escolaridade); se bem que... dizíamos, deixaremos isso para outros espaços, pois quiçá resvalássemos para alguma injustiça ao destacar um ou outro. Destacamos isso sim, a revista como um todo. E, passe o tom apologético de quem esteve também ligado ao aparecimento desta revista (bem avisamos no início), sobretudo enfatizamos o convite para que, desde logo a comunidade educativa do A. E. Alcaides de Faria, possa folhear, ler e desfrutar esta nova revista.

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