O que nos diz Stella Machado, aluna do 9º C (ESAF), sobre este livro que leu, gostou e recomenda:
A Paixão segundo G. H.Autor: Clarice Lispector
Editor: Relógio D`Água
Coleção: Ficções
Edição: 2ª | 2013
N.º de págs.: 141
Categoria: Romance
ES/3 Alcaides de Faria | Agrupamento de Escolas Alcaides de Faria
O que nos diz Stella Machado, aluna do 9º C (ESAF), sobre este livro que leu, gostou e recomenda:
A Paixão segundo G. H.
O actor acende a boca. Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor põe e tira a cabeça
de búfalo.
De veado.
De rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o actor.
O actor acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado estrela.
Bocado janela para fora.
Outro bocado gruta para dentro.
O actor toma as coisas para deitar fogo
ao pequeno talento humano.
O actor estala como sal queimado.
O que rutila, o que arde destacadamente
na noite, é o actor, com
uma voz pura monotonamente batida
pela solidão universal.
O espantoso actor que tira e coloca
e retira
o adjectivo da coisa, a subtileza
da forma,
e precipita a verdade.
De um lado extrai a maçã com sua
divagação de maçã.
Fabrica peixes mergulhados na própria
labareda de peixes.
Porque o actor está como a maçã.
O actor é um peixe.
Sorri assim o actor contra a face de Deus.
Ornamenta Deus com simplicidades silvestres.
O actor que subtrai Deus de Deus, e
dá velocidade aos lugares aéreos.
Porque o actor é uma astronave que atravessa
a distância de Deus.
Embrulha. Desvela.
O actor diz uma palavra inaudível.
Reduz a humidade e o calor da terra
à confusão dessa palavra.
Recita o livro. Amplifica o livro.
O actor acende o livro.
Levita pelos campos como a dura água do dia.
O actor é tremendo.
Ninguém ama tão rebarbativamente como o actor.
Como a unidade do actor.
O actor é um advérbio que ramificou
de um substantivo.
E o substantivo retorna e gira,
e o actor é um adjectivo.
É um nome que provém ultimamente
do Nome.
Nome que se murmura em si, e agita,
e enlouquece.
O actor é o grande Nome cheio de holofotes.
O nome que cega.
Que sangra.
Que é o sangue.
Assim o actor levanta o corpo,
enche o corpo com melodia.
Corpo que treme de melodia.
Ninguém ama tão corporalmente como o actor.
Como o corpo do actor.
Porque o talento é transformação.
O actor transforma a própria acção
da transformação.
Solidifica-se. Gaseifica-se. Complica-se.
O actor cresce no seu acto.
Faz crescer o acto.
O actor actifica-se.
É enorme o actor com sua ossada de base,
com suas tantas janelas,
as ruas -
o actor com a emotiva publicidade.
Ninguém ama tão publicamente como o actor.
Como o secreto actor.
Em estado de graça. Em compacto
estado de pureza.
O actor ama em acção de estrela.
Acção de mímica.
O actor é um tenebroso recolhimento
de onde brota a pantomina.
O actor vê aparecer a manhã sobre a cama.
Vê a cobra entre as pernas.
O actor vê fulminantemente
como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o actor.
Como a essência do amor do actor.
O teatro geral.
O actor em estado geral de graça.
Herberto Helder
Hoje, pelas 10h25, na sala de leitura da biblioteca da E.S. Alcaides de Faria.
Ler Camões...
Esta manhã (23/01), na sala de leitura da BESAF: Camões, Camões, Camões... pela voz de vários alunos da ESAF.
"Aquela cativa que me tem cativo..."
"Aquela triste e leda madrugada..."
"Alegres campos, verdes arvoredos..."
"Erros meus, má fortuna, amor ardente..."
"Outra ao mesmo..."
"Os privilégios que os Reis..."
"Sete anos de pastor Jacob servia..."
[Parabéns aos alunos: Samuel, João R., Rui, Lucas, Rúben, Gonçalo C., João L., Rafaela P., Luísa F.; suas interpretações de leitura expressiva dos poemas de Camões, acima elencados]
Verdes são são campos
de cor do limão
(...)
... um soneto de Camões na voz da aluna Catarina Matos (12.º ano) acompanhada à guitarra pelo aluno Fábio Santos (9.ºB) da ESAF.
Assim aconteceu, esta manhã, na sala de leitura da biblioteca escolar da E.S. Alcaides de Faria (Barcelos), numa participada sessão de poesia camoniana, onde vários alunos disseram também sonetos e outras composições da lírica de Camões, no âmbito da iniciativa nacional - LER CAMÕES, desafio lançado pela RBE / Ministério da Educação a propósito da celebração em curso do V Centenário do nascimento do Poeta.
Alma minha gentil, que te partiste,
Tão cedo desta vida, descontente, (...)
... um soneto de Camões na
voz da aluna Mariana Carvalho (9.º B) acompanhada à guitarra pelo aluno
Afonso Fernandes (9.ºB) e, no piano, por Fábio Santos (9.ºB) que
musicou, com composição da sua autoria, um dos mais belos poemas da
literatura portuguesa.
Assim aconteceu, esta manhã, na sala de
leitura da biblioteca escolar da E.S. Alcaides de Faria (Barcelos), numa
participada sessão de poesia camoniana, onde vários alunos disseram
também sonetos e outras composições da lírica de Camões, no âmbito da
iniciativa nacional - LER CAMÕES, desafio lançado pela RBE / Ministério
da Educação a propósito da celebração em curso do V Centenário do
nascimento do Poeta.
O dia em que nasci morra e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar,
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o sol padeça.
A luz lhe falte, o céu se lhe escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas, pasmadas de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
(Luís de Camões)
[Gratos à Rede de Bibliotecas Escolares por esta oportunidade, estendida a inúmeras escolas do país e milhares de alunos online, de seguirmos as explicações e raciocínios de uma matemática e de um astrónomo em torno da possível data do nascimento do autor d'Os Lusíadas]
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