Faz hoje 76 anos (30/11.1935), no hospital de S. Luís dos Franceses (Lisboa), partia o poeta, o fingidor, o múltiplo Pessoa... e deixou uma obra para a eternidade.
do Teatro S. Carlos, em Lisboa, nascia aquele que levaria o nome de FernandoAntónio Nogueira Pessoa.
O maior poeta do século XX português, um dos maiores da nossa Língua, nasceu no dia em que se celebrava S. António (não será por acaso o Fernando António).
(pintura de Almada Negreiros)
E porque de aniversário se trata, aqui deixamos um excerto do poema Aniversário(de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa)
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado —, As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Tomar o O Livro do Desassossego (F. Pessoa/Bernardo Soares), esse "diário íntimo feito de impressões, devaneios, apontamentos, entre a poesia doquotidiano mais banal e a reflexão metafísica" (in contracapa de edição de Richard Zenith, Assírio & Alvim 1998), excertos de Tabacaria e o poema Ah, um soneto (ambos de Álvaro de Campos), como referências para um concerto de leitura, assumindo as palavras como notas e o texto, partitura; congregar um grupo de vozes (alunos colaboradores da biblioteca escolar), um original arranjo musical (prof. J. Veiga) e a expressão corporal (prof. Graça Monteiro e as suas pupilas da dança) fazendo disso uma performance envolvente, foi o desafio que nos propusemos reiterar de novo (já havíamos feito uma experiência no ano anterior), desta feita num palco fora da escola, no auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos que nos recebeu no contexto de uma semana cujo desiderato principal foi festejar o livro e a leitura. Quem na quarta-feira, 23 de Março, se deslocou àquele auditório, não deu o seu tempo por perdido, perdoem-nos até a presunção, pois cremos que o fruiu, tal a vontade de quem seguiu o som das palavras ditas, o canto mavioso de Ah... um soneto, ao som das guitarras e a suave coreografia dos movimentos, como quem ondula pelos aforismos de Pessoa.
Uma sessão de bela prosa, poesia, canto, música e dança... uma outra forma de suscitar a leitura e o gosto pela cultura.
Retrato de Fernando Pessoa, por Almeida Negreiros (1935)
Há 75 anos (30/11.1935), partia o poeta, o fingidor, o múltiplo Pessoa. No hospital de S. Luís dos Franceses, antes da partida, pediu os óculos e sobre o papel, escreveu (interpelando-se) em inglês:
I Know not what tomorrow will bring (- Não sei o que o amanhã trará...)
Quanto a nós, sabemos que nos deixou uma obra para a eternidade...
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu. Mar Português (excerto), in Mensagem
Vale a pena folhear online (mesmo descarregar em pdf) esta nova revista literária, publicada no outro lado do Atlântico, que fala português e chega até nós graças ao largo mundo da Internet.
Editada online e em suporte papel, a revista PESSOA(n.º Zero - Ago-Set-Out/2010) teve lançamento oficial no passado dia 20 de Agosto, na Bienal de S. Paulo (Brasil). Nas palavras da sua editora executiva, Mirna Queiroz, a revista "pretende ser uma plataforma de integração da literatura em língua portuguesa, dispersa entre a América do Sul, Europa, África e Ásia” (conferir aqui).
Eis um recurso online que terá todo o interesse seguir. Numa primeira e rápida viagem pelas páginas desta publicação, saltou-nos à vista um bom conjunto de textos (aos quais voltaremos), poemas de autores lusófonos, breves ensaios sobre F. Pessoa e o seu universo e até uma interessante BD - "Pessoinha - Fernando Pessoa em quadradinhos".
Contando que ainda estejas por aqui, é já tempo de saltar até lá. Boas leituras!
Almas e Estrelas de Fernando Pessoa, reedição integral de uma antologia de textos publicada em 1966 pela Editora Arte e Cultura. A obra inclui um conjunto de textos, dos quais destacamos: A Rosa de seda (1915), uma fábula; O Banqueiro Anarquista (1922), escrito na forma de diálogo; O Marinheiro (1913), nas palavras de Pessoa, um "drama estático"; Uma aventura amorosa (1926), conto; entre outras prosas contidas neste volume.
Um conjunto de textos reunidos num livro que, estamos certos, agradará aos nossos leitores mais entusiastas de F. Pessoa como aqueloutros menos conhecedores da prosa pessoana.
Imagina o texto literário como uma partitura onde as palavras são notas e a voz, que lhes dá corpo, o instrumento musical. É este o desafio a que nos propusemos.
Vem experimentar o prazer do texto ouvindo excertos de "O Livro do Desassossego" ("composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa" / Fernando Pessoa). Encontro marcado na biblioteca escolar: segunda-feira, 01.Mar.2010, pelas 21h15. Nota: fonte da ilustração Casa F. Pessoa
A BE coloca ao dispor dos seus utilizadores/leitores mais um recurso bibliográfico (a acrescer àqueles que já indicámos aqui) de apoio ao estudo da obra de Pessoa. Desta feita, está já disponível para consulta e leitura local a obra "Fernando Pessoa e heterónimos - o texto em análise", de António Afonso Borregana. O autor, por via de uma abordagem "acessível e abrangente percorre os movimentos "Orpheu" e "Presença", avançando com propostas de análise de poemas mais representativos da obra pessoana.
Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Ed. Parceria António Maria Pereira, 1934 Fonte: MultiPessoa
Há 75 anos, no primeiro de Dezembro de 1934, Fernando Pessoa via publicado o seu primeiro livro de poesia em língua portuguesa - Mensagem(sob a chancela da editora Parceria António Maria Pereira). Não obstante ter publicado alguns opúsculos de poesia em inglês, Pessoa editou a única obra de poesia (em língua portuguesa) publicada ainda em vida (morreria cerca de um ano depois - 30-11-1935) - Mensagem - aquela que é considerada, por muitos, a mais emblemática das suas obras.
Primeiro O dos Castelos
A Europa jaz, posta nos cotovelos: De Oriente a Ocidente jaz, fitando, E toldam-lhe românticos cabelos Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado; O direito é em ângulo disposto. Aquele diz Itália, onde é pousado; Este diz Inglaterra onde, afastado, A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com o olhar esfíngico e fatal, O Ocidente, futuro do passado.
A Biblioteca Escolar aproveita esta evocação para dar conhecimento aos seus utilizadores/leitores de novas aquisições, no que concerne a recursos susceptíveis de serem utilizados como suporte ao estudo da Mensagem, assim como de outras obras de Fernando Pessoae heterónimos. Um outro recurso, este digital, que não deixarás de consultar, é uma pagina web designada: Multipessoa - Arquivo Pessoa, a visitar aqui.
Se desejares, clica em cada um dos itens da apresentação para conheceres as aquisições recentes da BESAF: