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5 de outubro de 2007

Qual o som deste poema?

A interacção que tanto se apregoa da net, ou dessas estranhas ferramentas que dinamizam o espaço cibernético, tem destas coisas: não é que cria mesmo interactividade, troca de informação! Pois é, os electrões mostram a sua força e, pela caixinha dos comentários, lá nos chega uma sugestão poética. Venham daí as sugestões, os comentários, o excerto que toca, o texto que guardam, o poema que querem partilhar... O J. Veiga dá-nos a ler Gastão Cruz com um poema da obra "A moeda do Tempo". Sugestão enviada para caixa dos comentários que, reparo agora, é anterior à notícia de ontem que dá conta precisamente que Gastão Cruz (com a obra citada), Mário Cláudio (com "Camilo Broca") e José Pedro Serra (com "Pensar o Trágico"), foram precisamente os vencedores da 28ª edição dos Prémios Literários do P.E.N. Clube Português.
Fica a menção, vamos ao poema:

A LUZ

Um tempo há em que os fantasmas vêm
todas as noites todos os dias
no céu pairar como se nuvens
fossem e nós um mar de safiras frias

A luz contudo sobre nós ainda
vibra o seu sexo bárbaro esculpindo-nos
na pele a história desses dias finda;
e o mar que somos, reflectindo

no céu dos outros nossos corpos vivos,
funde num tempo só o findo e o vivo

Gastão Cruz,
A Moeda do Tempo


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