14 de outubro de 2007

Folheias um livro...

Como resistir à transcrição de um poema inédito (hoje no P2 do Público) da autoria do poeta, ensaísta, crítico literário, tradutor (soube que foi também professor de Filosofia) Fernando Guimarães, recém galardoado com o Grande Prémio de Poesia 2006 da Associação Portuguesa de Escritores. Como resistir à beleza de um poema que nos remete para essa constatação maravilhosa de que no livro que folheamos, que lemos, na página que fixamos, há todo um sentido que é nosso?
O livro, esse mais que objecto que nas nossas mãos renasce sempre. Sempre!

Folheias um livro

Folheias um livro. Numa das páginas encontras um desenho
que está por concluir. Por alguma razão ficou assim. Talvez
sejam suficientes as linhas ali desenhadas. Numa praia
podem ser vistos alguns vestígios da água. Muitas vezes procuras
descobrir o sentido do que não precisa sequer de estar
junto de ti, porque houve mãos que já o sabiam. De novo a água
atravessa aquelas páginas. Fixas o teu olhar e recebe-la
para que também sejam as tuas mãos capazes desse conhecimento.
Depois
principiaste a ver melhor o que nem sequer existia. Fechas
o livro devagar. O desenho que tinhas encontrado está agora completo.
(inédito de Fernando Guimarães, 2007)

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