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25 de abril de 2013

Na festa da poesia > Pequenos Grandes Poetas

O concurso de poesia promovido pela Rede de Bibliotecas Escolares de Barcelos / pelouro da Cultura / Biblioteca Municipal de Barcelos (em colaboração com as 26 bibliotecas escolares do concelho), que desde 2012 leva a sugestiva designação - Pequenos Grandes Poetas - culminou ontem num festivo e muito concorrido sarau de poesia, realizado no auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos, onde marcaram presença alunos das várias escolas do concelho, dos mais pequeninos aos jovens do Ensino Secundário. 

Numa verdadeira festa da poesia, ora com poemas inéditos apresentados a concurso, ora com a declamação de poesia em diferentes categorias de participação, o evento promotor da leitura e da escrita poética, mostrou a vivacidade de crianças e jovens que, em palco, evidenciaram as suas qualidades de escrita e de diseurs (dizedores, como bem dizem e grafam os amantes da poesia dita).
A ES/3 Alcaides de Faria (do A.E. Alcaides de Faria) tem motivos acrescidos para festejar pois que, pela terceira vez consecutiva, foi um aluno proposto pela biblioteca desta escola que venceu na modalidade declamação (categoria Ensino Secundário). Assim foi ontem (24/04) com a prestação do nosso aluno João Manuel B. Araújo, do 12.º ano, que disse o poema Porque de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Parabéns João Araújo! Parabéns a todas as crianças e jovens que ontem abrilhantaram os Pequenos Grandes Poetas.
[se o conseguirmos, partilharemos aqui, oportunamente, uma foto da prestação do João no Concurso]

25 de Abril de 74 - revisitar para lembrar - ecos de uma sessão com alunos

[Lembrar o dia da Liberdade / BESAF 2013]
Hoje comemora-se uma data importante no quadro da nossa história recente. 39 anos passaram sobre esse "dia inicial inteiro e limpo / onde emergimos da noite e do silêncio" (nas palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen). Foi o princípio da recuperação das liberdades fundamentais, da redescoberta de direitos inalienáveis, da assunção da democracia como melhor regime de governação (não obstante as suas fragilidades), da via aberta para a participação cidadã. Foi a revolução que Abril trouxe, porque muito mudou na sociedade portuguesa desde então. Nas palavras de abertura da celebração do Dia da Liberdade, que desde há vários anos levamos a cabo na biblioteca escolar da ESAF, com a presença de um "capitão de abril" (profícua colaboração da Associação 25 de Abril para connosco), referimos, aos muitos alunos presentes, que se recuássemos 40 anos, não teríamos a oportunidade de nos reunirmos assim e falarmos sobre valores democráticos como a liberdade, a solidariedade, a participação cívica... Há 40 anos muitos dos que ali se encontravam estariam com certeza destinados a uma inserção precoce na vida do trabalho e sem possibilidades social e economicamente sustentadas de continuar estudos. E lembrar isto não é meramente um exercício de imaginação retórica, é sensibilizar para a importância dos valores democráticos; sensibilizar os jovens, que nasceram bem depois do 25 de abril de 1974, para o conhecimento de factos importantes da história do seu país, pois ninguém constrói o futuro (e eles são e serão parte ativa nesse processo) sem o conhecimento do que fomos e do que somos... projetando-nos.
E isto é literacia (histórica, cultural...), condição essencial da cidadania; e a promoção das literacias é apanágio das bibliotecas, esses espaços de liberdade.
Assim aconteceu, na passada terça-feira, a Biblioteca da ESAF revisitou para lembrar, revisitou para sensibilizar, revisitou para mostrar que a democracia e os valores a ela associados são um bem precioso que importa sempre e sempre acarinhar. Cá recebemos um dos "capitães de abril", militar que também fez parte desse movimento, o coronel Bacelar Ferreira; militar que no Norte desempenhou o seu papel, a par de tantos outros seus colegas (em diferentes pontos do país) que arriscaram pela mudança de um sistema que já não era defensável; mudança essa que haveria de conduzir à instauração de um regime democrático no nosso país. 
Logo a abrir a sessão a professora Marieta, colaboradora da biblioteca, fez a leitura expressiva do conto de Manuel António Pina, O Tesouro, a bela história (a que já fizemos referência antes) que nos fala do "país das pessoas tristes", das pessoas que desconheciam a liberdade, e esse país era Portugal. A mensagem que passamos é de que não queremos um país de pessoas tristes, antes um país que acredite em si e no futuro. Seguidamente, o coronel Bacelar Ferreira conversou com os jovens, respondeu a perguntas, lembrou os acontecimentos da altura, não deixando por satisfazer a curiosidade de alguns alunos que o questionaram sobre detalhes do que aconteceu naquele dia histórico. Falou-se da guerra colonial, dos preparativos da rebelião militar, do quadro histórico, social, económico e político da altura, da intensa sensação de liberdade (de pensamento, de expressão, de movimento) sentida pelas pessoas, do papel do povo no apoio ao movimento em marcha, do direito ao voto, da expansão da escola a todos os cidadãos, de tantos outros aspetos que hoje nos podem passar despercebidos (mesmo àqueles que viveram aqueles acontecimentos). Por isso importa revisitar para lembrar, sensibilizar, consciencializar para a importância da democracia e, no mesmo passo, para o valor que lhe devemos dar... preservando-a.

20 de abril de 2013

25 de abril de 1974 - Revisitar para Lembrar

"Quem, vindo de outras terras, chegava ao País das Pessoas Tristes, não compreendia.(...) Contavam-lhes que o povo daquele país tivera um dia um imenso e belo tesouro e que alguém lho roubara (...) um tesouro tão grande e tão valioso que, sem ele, não podiam ser felizes. 
- Um tesouro?, perguntavam os visitantes muito surpreendidos. 
- Sim, um tesouro... A liberdade. 
- A liberdade? Um tesouro? (...) 
- Sim, a liberdade é como o ar que respiramos, diziam-lhes os seus novos amigos tristemente. Só quando nos falta, e sufocamos cheios de aflição, é que descobrimos que, sem ele, não podemos viver..." 
Até que um dia chegou em que, no País das Pessoas Tristes, as pessoas decidiram reconquistar o seu tesouro.
  [cartaz da autoria de David Figueiredo, prof. de Artes]
Revisitar este marco da nossa história recente, um acontecimento que data de há 39 anos,    e com ele lembrar o valor inalienável da liberdade como o pressuposto de uma cidadania democrática, participativa e solidária, é também literacia. E as bibliotecas são por excelência espaços onde germina a literacia, espaços de liberdade, portas abertas no tempo (como dizia Jorge Luís Borges).
É assim que, desde há alguns anos, a biblioteca da ESAF revisita e evoca:
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.
                                                                                                                         [Sophia de Mello Breyner Andresen]

25 de abril é já na próxima semana. Vamos lembrá-lo.

[nota de final de página: neste post recorremos às palavras do grande e sempre lembrado Manuel António Pina (que certo, alegre e luminoso dia conversou com alunos nesta biblioteca), às palavras d`O Tesouro;  às inteiras e limpas palavras de Sophia, também; e às de Borges, que associava as bibliotecas ao paraíso]

14 de abril de 2013

Encontro com o escritor José Leon Machado

"Que faz um livro viver?" - pergunta-se Henry Miller numa obra interessantíssima e algo heterodoxa, que leva o título: Os Livros da Minha vida. Responde Miller: "Um livro vive devido à recomendação apaixonada que um leitor faz a outro". 
Esta é uma posição na qual também nos reconhecemos e, de certo modo, tentamos concretizar com várias das iniciativas da BE, inclusive aquela que dinamizamos aqui no blogue (a secção Li, Gostei e Recomendo... a palavra aos leitores, que ao longo dos últimos anos tem contado com a colaboração dos nossos leitores). Acreditamos também que, para além da recomendação vívida de um leitor, o encontro com autores materializa uma via de promoção da leitura ao colocar o escritor ou o ilustrador em contacto com o público leitor. É sempre uma mais-valia, em prol da leitura e do desenvolvimento de novos leitoresa vinda de um escritor à escola.
Assim aconteceu, aqui na ESAF, no passado dia 10, em plena Semana Concelhia da Leitura, desta feita por iniciativa da professora Maria José Simões e alguns colegas mais, da Área de Português, que lecionam ao Ensino Básico. José Leon Machado, o escritor, deslocou-se à escola e conversou com mais de duas centenas de alunos em duas sessões levadas a cabo no auditório da ESAF. Falou de si, do seu percurso ligado aos livros e à leitura, contou histórias interessantes a propósito do seu interesse pela leitura e pela escrita; falou ainda dos livros publicados (sem esquecer o mais recente: Vórtice), alguns deles traduzidos noutros idiomas, e do seu processo de escrita, respondeu às inquiridoras questões dos alunos, e ainda fez menção de deixar alguns autógrafos nas obras A Forma de Olhar e O sapo envergonhado.
É também destes momentos de encontro com escritores que germina a vontade de ler mais e de conhecer novos livros
E assim também se promove a leitura, desta feita sem grelhas de análise, nem fichas de leitura obrigatória, antes conversando livremente com quem escreve as estórias. 

13 de abril de 2013

Contos de Sophia de Mello B. Andresen - ensaio gráfico

na Semana Concelhia da Leitura...


Na sequência de outras exposições já apresentadas em anteriores Semanas da Leitura (Saramago - ensaio gráficoOs Lusíadas - ensaio gráfico), este ano contamos com Contos de Sophia de Mello Breyner Andresen - ensaio gráfico. A mostra, constituída por vinte e cinco quadros, obra de alunos do 10.º N (curso profissional técnico de multimédia) da ESAF, é fruto de um trabalho de ilustração gráfica que recria as ambiências de uma série de contos conhecidos de Sophia, d`A Menina do Mar ao Cavaleiro da Dinamarca, passando pela Fada OrianaO Rapaz de BronzeA Floresta, entre outros.
Inaugurada na passada 2.ª feira, 8/04, a par da apresentação de uma performance em torno da poesia de Sophia,  que tomou o mar como mote, esta exposição está patente ao público no foyer da Biblioteca Municipal de Barcelos até 19 de abril e enquadra-se também nas iniciativas levadas a cabo nesta Semana Concelhia da Leitura.
Vale a pena uma visita; a entrada é grátis, só tem que desfrutar.

12 de abril de 2013

Leituras sob o signo do Mar - performance: Mar de Sophia e exposição gráfica

Sob o signo do mar... mar de leituras, mar de palavras, mar de poemas, surgiu o Mar de Sophia - performance de poesia, música, dança, vídeo - uma iniciativa da biblioteca escolar da ESAF, que contou com a colaboração de alunos e alguns professores, levada à cena no auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos. Na tarde de 8 de abril, no mesmo dia em que se iniciava a Semana Concelhia de Leitura (uma iniciativa conjunta do SABE/Rede de Bibliotecas de Barcelos com as bibliotecas escolares do concelho), as palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen, palavras com aroma a maresia, embaladas pelo sussurro das ondas, os ecos de um navio largando o cais, a evocação das musas e Apolo, um pirata solitário no seu barco, um quarto branco frente ao mar, na mesa a rubra maçã, o grito do Ser e da poesia que é salvação e vida... ecoaram expressivamente no auditório da BMB; e com elas a graciosa dança, a música e o vídeo.
A sessão marcou também a inauguração da exposição: Sophia de Mello Breyner Andresen, contos - Ensaio Gráfico - uma original recriação gráfica das ambiências dos contos desta poetisa. A mostra, composta por 25 quadros, obra de alunos do 10.º N do Curso Profissional Técnico de Multimédia da ESAF, está patente no foyer da Biblioteca Municipal de Barcelos e pode ser visitada até 19 de abril. 

26 de março de 2013

Dia do Livro Português

Tendo como referência o dia em que foi impresso o primeiro livro em Portugal (pois saiu a 26 de março de 1487, da oficina de Samuel Gacon, em Faro), assinala-se hoje o Dia do Livro Português
Que possa esta data ser um momento para pensarmos sobre a importância do livro na formação de seres humanos mais cultos, mais sensíveis, mais abertos a novas ideias e, porque do livro português, mais despertos para a literatura portuguesa tão rica e multifacetada, da poesia à prosa ficcional, passando pela epopeia, o teatro, o conto, a crónica e mesmo a epistolografia. São tantos e tão bons os nossos autores, dos trovadores medievais aos escritores que rejuvenescem a nossa literatura atual, passando por Gil Vicente, Fernão Mendes Pinto, Bernardim Ribeiro, Camões, António Ferreira, Sá de Miranda, Vieira, Herculano, Garrett, Cesário Verde, Eça, Camilo, Antero de Quental, Aquilino, Pessoa, Mário de Sá Carneiro, José Rodrigues Miguéis, Nemésio, Sena, Sophia, Cardoso Pires, Herberto Helder, Ruy Belo, Vergílio Ferreira, Torga,  Saramago, A. Lobo Antunes, Mário de Carvalho, Manuel A. Pina, Gonçalo M. Tavares... lembrando alguns - mas sem o desmerecimento de outros - numa longa lista de prosadores e poetas que trabalharam (e trabalham) a língua, elevando a literatura portuguesa a um incontornável estatuto universal. 
Vale a pena ler os clássicos, escreveu Calvino, vale a pena ler os nossos autores, dizemos nós, desfrutar do que tem de bom a nossa literatura, dos clássicos incontornáveis (Camões - sempre) àqueles que hoje continuam a comover-nos com os seus poemas, as suas histórias, as suas palavras. 

25 de março de 2013

BESAF Photo 2013 - alargado o prazo de entrega de trabalhos

Para os interessados - alunos do Ens. Secundário (Regular e Profissional) da ESAF -  comunica-se que o prazo de entrega de trabalhos originais (no máximo 2 fotografias) relativos ao Concurso de fotografia BESAF Photo 2013 foi alargado até 15 de abril de 2013. Lembramos que o tema deste ano é Na Rota dos Livros
A vossa criatividade imagética está à prova. Concorram!
[Os alunos que já enviaram trabalhos têm naturalmente a possibilidade de, se assim o desejarem, substituir (ou não) as fotos já anteriormente remetidas]. Quanto mais contributos (2 fotos por aluno) mais e diferentes os pontos de vista que gostaríamos de ver.

21 de março de 2013

Convoquemos os poetas... queremos ouvir o que têm para nos dizer.

             A Poesia Vai Acabar
             
             A poesia vai acabar, os poetas
             vão ser colocados em lugares mais úteis.
             Por exemplo, observadores de pássaros
             (enquanto os pássaros não acabarem). 
             Esta certeza tive-a hoje ao
             entrar numa repartição pública.
             Um senhor míope atendia devagar
             ao balcão; eu perguntei: 
             «Que fez algum poeta por este senhor?» 
             E a pergunta afligiu-me tanto 
             por dentro e por fora da cabeça que 
             tive que voltar a ler
             toda a poesia desde o princípio do mundo.
             Uma pergunta numa cabeça.
             — Como uma coroa de espinhos:
             estão todos a ver onde o autor quer chegar? —

Manuel António Pina
Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde

15 de março de 2013

Direitos e deveres dos Consumidores - uma sensibilização indispensável

Neste dia, 15 de março, evoca-se o Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores, instituído pelo antigo presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy (15 de março de 1962) ao defender vários direitos, dentre os quais: direito à segurança, à informação, à escolha e a ser ouvido
Atualmente, e em concreto no quadro da legislação portuguesa - Constituição da República e Lei de Defesa do Consumidor, destacam-se como importantes direitos: o direito à protecção da saúde e segurança; o direito à qualidade dos bens ou serviços; o direito à prevenção e à reparação de prejuízos; o direito à formação e à educação para o consumo; o direito à informação para o consumo; etc..
Foi tendo em conta não apenas a evocação deste dia, mas também, e sobretudo, no quadro da promoção das literacias, que a biblioteca escolar da ESAF e a Área de Economia e Contabilidade, com a colaboração da delegação regional da DECO - Viana do Castelo, promoveram sessões de literacia financeira e do consumo, desta feita com a realização de duas, na passada terça-feira, dia 12, em torno dos Direitos dos Consumidores. Já havíamos promovido, em janeiro, outras sessões sobre competências de gestão de orçamento pessoal/familiar e poupança.
Numa ação sensibilizadora que envolveu um total de 175 alunos, o jurista Tiago Cunha, da DECO, veio falar-nos de consumo, de consumidores e dos direitos que lhes assistem, num mundo cada vez mais complexo, onde desde que nos levantamos até ao momento em que nos deitamos, vivemos imersos em publicidade indutora ao consumo. Desde o conceito, passando pela reflexão sobre quão difícil é hoje ser-se consumidor, Tiago Cunha sensibilizou ainda os alunos, que encheram o Auditório da ESAF, para um conjunto de direitos e ações a considerar em conflitos de consumo. 
Não nos cansamos de afirmar que literacia é condição de cidadania e, por conseguinte, estar (in)formado é um ponto fundamental para que nos afirmemos como cidadãos esclarecidos e cientes dos seus direitos e deveres, que temos na interacção comercial.
Uma nota para salientar que, no início de cada sessão, passou um pequeno mas muito esclarecedor documento vídeo sobre questões da oferta e da procura, obra de alguns alunos (sob supervisão do prof. Vítor Seco) que, de forma lúdica, e com recurso a imagens captadas na feira semanal de Barcelos, cativaram a audiência para a temática. 

14 de março de 2013

Biblioteca em números: quantos? quem? o que fazem?

Hoje foi dia de contagem de entradas na biblioteca escolar da ESAF. A cada passo procedemos (como já reportamos aqui noutras ocasiões) a contagens absolutas, logo à entrada da BE (pese contudo o acréscimo de trabalho que este procedimento implica). E os números evidenciam uma realidade que nos é quotidiana: biblioteca activa, num forte fluxo de alunos/utilizadores em busca de recursos, ora na Net (que leva a palma, seja para a realização de trabalhos, seja para a pesquisa livre), ora nas áreas funcionais de leitura e pesquisa (no piso 1). 
Entre as 9h da manhã e as  5 da tarde, o pessoal da BE reveza-se, a par de outras atividades, na introdução de dados (num formulário do Google Docs) sobre cada um dos alunos que passou a porta da BE, e os números estão aí: mais de meio milhar de entradas num espaço de oito horas consecutivas, um número que se compagina com aqueles que registámos noutros momentos (também disponibilizados neste blog) e que, para nós, constituem um índice de medida fundamental que, de certo modo, radiografa a dinâmica desta estrutura.

12 de março de 2013

Saramago - Ensaio Gráfico de regresso a casa

Depois de quase dois anos em percurso por várias bibliotecas escolares do concelho de Barcelos, num quadro de colaboração e parceria, a exposição Saramago - Ensaio Gráfico (que teve o seu arranque no salão Nobre da Câmara Municipal de Barcelos, em março de 2011), obra de alunos do curso multimédia da ES Alcaides de Faria (ESAF), sob supervisão do professor de Artes David Figueiredo, passa agora pelo mezanino da biblioteca desta escola. Já visitada por muitas centenas de alunos, noutros estabelecimentos de ensino da região, a mostra Saramago - Ensaio Gráfico constitui-se numa sequência da 14 quadros, cada um deles assumindo a transfiguração / recriação de capas de outros tantos livros do Nobel português da Literatura.
A visita à exposição decorre durante o período de funcionamento da biblioteca da ESAF, pelo que aqui fica o convite a todos os membros do Agrupamento de Escolas Alcaides de Faria para que façam uma visita.

Veja também a galeria virtual (elaborada na altura da sua inauguração no Salão Nobre da C.M.B.)

1 de março de 2013

Utopia, Crise e Educação - ecos de uma palestra

Para quem pensa que a Utopia não passa de vã fantasia, teria ontem uma excelente oportunidade para se desenganar acerca de tão apressado juízo, se tivesse ouvido e seguido a palestra que Fátima Vieira pronunciou na biblioteca escolar da ESAF. 
Ontem (28/02), quando fevereiro chegava ao seu ocaso e a luminosidade da tarde atravessava a sala de leitura da BESAF, conferindo-lhe um ambiente muito especial, Fátima Vieira, Professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, especialista e investigadora nos domínios do pensamento utópico, prendeu, com um discurso envolvente e uma magnífica abordagem, a audiência de estudantes e professores que enchia por completo aquela sala de leitura e o mezanino. Utopia, Crise e Educação foi o mote para um momento intelectualmente estimulante, uma palestra envolvente sobre a utopia como força catalisadora, tensão positiva e criativa, capaz de levar as pessoas à ação e à transformação. 
Mais de uma centena de jovens do ensino secundário, vários professores e convidados do meio envolvente, tiveram a oportunidade de ouvir falar de Utopia e pensamento utópico: o que é? para que serve? visão utópica vs. visão reformadora; utopia como via de pensamento crítico-utópico; questionamento sobre onde queremos chegar? Utopia, não como o caminho, mas como "diferentes possíveis caminhos"; Utopia como espaço de desejo, de múltiplas alternativas, de um mundo plural, frente à pobreza das visões monolíticas. 
A oradora, na sua abrangente viagem, da antiguidade à actualidade, convocou Platão, S. Agostinho, incontornavelmente Thomas More (o criador da palavra Utopia e de um clássico com o mesmo título), Bacon, entre outros clássicos, mas também Eduardo Galeano e o para nós fundamental Gonçalo M. Tavares (sim, um dos autores que por esta sala já passou); falou de Vasco de Quiroga e sua experiência utópica/distópica no México da hispanização; e, não, não esqueceu, a vertigem das utopias, que na ânsia da sua concretização, rapidamente se transformaram em distopias a evitar ... cruzou o seu pensamento com o dos clássicos, observou a "realidade pelo canto do olho", citando Tavares; dissertou sobre os desafios de hoje e a premência de olharmos o futuro sob outros prismas, com criatividade, mas sem deixarmos de ser activos, questionadores, indagantes, críticos... Abordou ainda a escola e a educação como espaços de utopia, espaços para a enunciação do desejo utópico; mas também os modos de vida e as transformações que devem partir de baixo, do indivíduo, pela sua ação cívica...
A palestrante prendeu,  implicou, mostrou como nestes momentos (em que da formalidade da sala de aula se passa à informalidade de um outro contexto, o de uma biblioteca, por exemplo) também acontece partilha de conhecimento, partilha de ideias, numa palavra, educação para a cidadania. Afinal aquilo que a iniciativa Quint`Ethos também proclama nas abordagens que faz.
Memorável sessão.

27 de fevereiro de 2013

Utopia, Crise e Educação - na Biblioteca da ESAF

Numa iniciativa da Biblioteca Escolar da ESAF, em parceria com o projeto Quint`Ethos, amanhã, 5.ª feira (28/02), a partir da 15h, na sala de leitura da biblioteca , vem ouvir falar de (e debater) Utopia, Crise e Educação. A conferência estará a cargo da Professora Doutora Fátima Vieira, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Fátima Vieira, académica e investigadora, Diretora do Departamento de Estudos Anglo-Americanos da FLUP (onde leciona desde 1986), especialista nos domínios do pensamento utópico, preside à Utopian Studies Society e dirige dois periódicos eletrónicos na área do utopismo (E-Topia e Spaces of Utopia), entre outras formas de intervenção, da docência à investigação, passando pela tradução de obras de Shakespeare. 
[base: Lucio Fontana, Concetto Spaziale, Attese, 1959]

21 de fevereiro de 2013

A Terceira Miséria - obra premiada na 14.ª ed. das Correntes d`Escritas

"A terceira miséria é esta, a de hoje. 
A de quem já não ouve nem pergunta. 
A de quem não recorda"
                            Hélia Correia, in A terceira miséria. Relógio d`Água, 2012 (p. 29)

Palavras de Hélia Correia na obra vencedora do Prémio Correntes d`Escritas 2013 - A Terceira Miséria - um olhar poético sobre estes tempos, suscitado pelos acontecimentos de raiva e indignação vividos na Grécia (e noutros locais desta Europa em crise), à luz da clássica cultura grega (tão querida à autora), da matriz da civilização ocidental.
Hélia Correia, nascida em 1949, é um nome incontornável da literatura contemporânea portuguesa. Licenciada em Filologia Românica e professora de Português do Ensino Secundário, a autora é conhecida sobretudo pela sua criação em prosa, mas também tem incursões de grande valia no campo da poesia (como ocorre com esta obra, agora premiada, e outras como: A pequena morte / esse eterno canto, em parceria com Jaime Rocha; ou Apodera-te de mim). De entre a sua criação literária destacamos obras como: O número dos vivos (romance, 1982); Lilias Fraser (romance, 2001); Contos (2008); Adoecer (romance, 2010); Mopsos, o pequeno grego. O ouro de Delfos (juvenil 2004); A ilha encantada, versão para jovens de A tempestade de W. Shakespeare; Sonho de uma noite de verão (versão adaptada)... algumas destas constantes do nosso acervo documental.
Parabéns Hélia Correia.