Páginas

24 de abril de 2008

Dia Mundial do Livro - iniciativas

Ontem, pela manhã: encontro com o escritor Fernando Pinheiro.
Parceria entre a Biblioteca Municipal de Barcelos, Área Disciplinar de Português da ESAF e a Biblioteca da ESAF.
A sessão, marcada pelo encontro entre alunos e o escritor, iniciou-se com intervenções de responsáveis pela Biblioteca Municipal e a apresentação de F. Pinheiro aos alunos por parte do Prof. Mário Patrão que, para o efeito, apresentou ainda um Powerpoint em torno da obra do autor de "A Forasteira", "O Pugilista de Deus", "Sete Salmos e uma Lenda" e outras. Alunos da Prof. Marieta Barbosa levaram à cena quadros dramatizados de momentos fulcrais do romance "A Forasteira". Finalmente o diálogo entre escritor e alunos.
À noite, pelas 21:30, foi altura para uma conversa informal entre alunos do Ensino Recorrente Nocturno e o poeta e professor Francisco Carmelo.
Depois de uma breve apresentação deste autor, feita pelo Coordenador da BE; seguiu-se a análise do livro de poemas
Romance, levada a cabo por José M.Veiga, numa perspectiva sequencial dos elementos mais marcantes da obra. Tomando a palavra, Francisco Carmelo, prendeu a assistência falando de poesia, do acto criador, dos insights do poeta, da solidão, da vida e da morte, da celebração do Amor como Verdade, da justa medida das palavras e da harmonia do texto poético, entre tantas outras temáticas da história à arte, passando pela literatura.
Ainda houve tempo para uma peça musical, da autoria de J. Veiga, inspirada em Romance.

25 de Abril - Sons de Liberdade

2º Dia - Terça-feira, 21.Abril.08 | 21:30
Ainda ecoam os cânticos de Abril... a evocarem a liberdade.
Eis as imagens da festa da liberdade no espaço da Biblioteca...
e de mãos dadas cantámos!
fotos: Marta Pacheco

23 de abril de 2008

25 de Abril - Sons de Liberdade

2º Dia - Terça-feira, 21.Abril.08 | 21:30
Ontem, entre músicas de intervenção e palavras de poetas como Sophia de Mello Breyner Andresen, Manuel Alegre, Ary dos Santos, José Afonso, entre outros... soaram canções de Abril, sentiram-se os ecos e o perfume de Abril em Liberdade. E tudo isto por alunos, jovens alunos, nascidos depois de Abril de 74, cujas vozes ressoaram as tonalidades da Liberdade. Tão alegres, tão vivos, tão espontaneamente envolvidos pelos sons e as palavras dessa aurora da democracia em Portugal.

Antes da Grândola Vila Morena, houve tempo para a audição de um poema inédito de José Manuel Veiga, cantado e musicado pelo próprio com o acompanhamento dos alunos/músicos: Bruno Costa, Tiago Rosendo e Tiago Silva. Uma nota especial para os alunos do 11ºU tanto pelos poemas ditos como pela envolvência que conseguiram criar. Eis o poema de J.M.Veiga a celebrar Abril em Liberdade:

AQUELA VOZ (no silêncio)

Eu ouvi na madrugada
a voz vinda do silêncio
que soava a
liberdade
num país feito
tormento

Nem quisera
acreditar no
que aquela voz
dizia
nesse Abril
a abrir em
par
a nossa nova
alegria

Abril é mês
de início de
um novo mundo
que deve conter
de vez
a felicidade
bem fundo.

...e porque hoje é Dia Mundial do Livro

apetece reapreciar Arcimboldo:
il bibliotecario

e citar Tournier:
"Há um milagre de que sou testemunha e actor várias vezes ao dia, e ao qual no entanto não me consigo habituar. Pego num maço de folhas de papel enegrecidas de sinais. Olho-as, e eis a maravilha: surgem no meu espírito senhores e belas damas, um castelo, um parque admirável povoado de estátuas ou de animais raros. Desenrolam-se histórias ofegantes, divertidas ou comoventes, de tal modo que tenho dificuldade em reter os meus arrepios, os meus risos ou as minhas lágrimas. E todas estas aparições apenas têm como origem aquele papel enegrecido. Que paradoxo!
Será que tais aparições não têm de facto outra origem a não ser aquele papel enegrecido? Reflectindo bem, há lugar para dúvidas. E então eu? EU, o leitor? É que esta fantasmagoria que se desdobra no meu espírito graças ao milagre da leitura é tanto obra do meu espírito como do próprio texto escrito. Sim, creio que um livro tem sempre dois autores: aquele que o escreveu e aquele que o lê. Um livro escrito, mas não lido, não chega verdadeiramente a existir. É um ser virtual que se esgota no seu apelo ao leitor; tal qual uma semente que perdidamente voa ao capricho do vento até que venha a tombar num pedaço de boa terra onde poderá enfim tornar-se ela própria, isto é: folha, flor e fruto."

22 de abril de 2008

25 de Abril - Revisitar para Lembrar


fotos: Marta Pacheco

1º dia - Segunda-feira, 21.Abril.08 | 21:30

Biblioteca da escola: sala cheia. Arranca a primeira de um ciclo de iniciativas a celebrar a liberdade e a “Revolução dos Cravos” .

Acto primeiro: leitura na íntegra do portentoso e acutilante, poema de José Carlos Ary dos Santos – “As portas que Abril abriu”. Helder Cunha, aluno do Ensino Recorrente Nocturno, troou os ares com a leitura dos primeiros versos: “Era uma vez um país / onde entre o mar e a terra…”, as colunas vibravam, os ouvidos, à escuta, seguiam as palavras que nos lembravam um tempo a não esquecer. Um tempo onde tudo parecia explodir… numa explosão de gritos de liberdade, de palavras amordaçadas prestes a ecoarem em horizontes prenhes de possibilidades.

Um grito final... um murro na mesa. Bravo!

Depois… novamente o silêncio.

Acto segundo: no escuro da sala, a luz incendiou a tela de uma cor quente de fim de tarde. Num canto de África, junto ao Atlântico, homens fardados, G3 na mão, barcos no cais, o mato, o fumo de uma bomba… fotografias várias, algumas a preto e branco outras a cores esbatidas pelo tempo, olhares, ora compenetrados ora alegres, de uma alegria espontânea, como que exorcizando o medo e o escorrer do tempo, um aquartelamento, os campos da Guiné...1973. O encontro entre os que se guerreavam antes, já em 74, num tempo único e expectante.

Um curto documentário sobre memórias pessoais de uma guerra em África rolava, ao som dos Pink Floyd (Remember when you were young? / You shone like the sun. / Shine on, you crazy diamond), concentrando o nosso olhar, para muitos um primeiro olhar sobre aquilo, sobre uma realidade que marcou muitos homens lá e cá, povos lá e cá. Sem recurso a imagens de choque, às imagens a que já nos tornámos imunes, sentiu-se o ambiente e a tensão de um tempo passado mas que urge relembrar. Nas nossas mentes, ficou a nítida ideia de que não devemos deixar que os outros contem por nós as histórias que já vivemos. Foi isso que fez precisamente João Lemos, ao contar-nos, com imagens suas, um pouco daquele tempo, um pouco da sua história enquanto jovem militar num difícil teatro de guerra.

Acto terceiro: após a pregnância das imagens nos ter deixado alerta para o que viria a seguir, voltou a palavra. A palavra à mesa. Interpelados pela moderadora, Helena Santos, os convidados para o painel de intervenções, deram-nos conta de um pouco das suas vivências, partilharam com outras gerações parte da história das suas vidas. João Lemos: sobre o seu tempo na Guiné já no ocaso da Guerra do Ultramar, em período bem difícil; António Lopes e Fátima Neves: sobre os tempos da clandestinidade e todas as agruras que isso implicava, desde as formas de iludir a polícia política, dos subterfúgios para escapar às malhas da PIDE, à vivência sob a capa de outros nomes em quase total anonimato; Fernando Vilaça: sobre os tempos de prisão e da indizível tortura. Depoimentos pungentes, mas não lamechas, onde até houve tempo para o humor. Mesmo nas situações difíceis, na luta pelas suas causas, há sempre algo dissonante, algo que nos faz rir, rir do que dói. Que paradoxo! Foram momentos de revisitação do passado, cientes do presente e com os olhos postos no futuro.

Anteontem à noite, na Biblioteca da ESAF, assistiu-se a uma magistral lição de cidadania, não só se convocou a História e as histórias de cada um, como se passou a mensagem de que a luta pela Liberdade, esse bem a que todo o ser Humano aspira sempre, mais ainda quando sente a sua ausência, envolveu imensos sacrifícios. Na intervenção final, F.Vilaça dizia que não devemos nunca calar a injustiça, mas sim mostrar sentido crítico face às injustiças e às arbitrariedades de alguns poderes. Afinal, a Democracia só tem a ganhar quando os cidadãos defendem os seus direitos e não esquecem os seus deveres, quando têm uma palavra a dizer e não a calam. Helena, fechou o círculo, lembrando a necessidade de se preservar a liberdade - um bem frágil e nunca dado como adquirido, mas sempre a conquistar.

No final, entre cravos nas mãos e nos bolsos dos casacos, muitos diziam ter valido a pena, muitos queriam ver repetido aquele painel, agora e sobretudo para os alunos mais novos do ensino diurno, aqueles que nasceram anos depois de Abril de 74 e para os quais essa é pouco mais que uma data que consta nos livros de História como marco de uma revolução. Outros, diziam ainda como tinha sido importante, ter pela frente, ao vivo, alguém que viveu esse tempo e dispensou um pouco do seu tempo pessoal para o partilhar. Aprendemos todos um pouco mais. Afinal o objectivo que nos moveu foi eminentemente pedagógico e formativo, sem deixar de ser cultural (passe a redundância). jd

22 Abril | 21:30 :: SONS DE LIBERDADE

Hoje, terça-feira, a partir das 21h30, na Biblioteca da ESAF, actuação musical e leitura de poemas (alunos e professor José Veiga) que dão corpo aos "sons de liberdade".

A Rapariga do País de Abril

Habito o sol dentro de ti
descubro a terra aprendo o mar
rio acima rio abaixo vou remando
por esse Tejo aberto no teu corpo.

E sou metade camponês metade marinheiro
apascento meus sonhos iço as velas
sobre o teu corpo que de certo modo
é um país marítimo com árvores no meio.

Tu és meu vinho. Tu és meu pão.
Guitarra e fruta. Melodia.
A mesma melodia destas noites
enlouquecidas pela brisa no País de Abril.

E eu procurava-te nas pontes da tristeza
cantava adivinhando-te cantava
quando o País de Abril se vestia de ti
e eu perguntava atónito quem eras.

Por ti cheguei ao longe aqui tão perto
e vi um chão puro: algarves de ternura.
Quando vieste tudo ficou certo
e achei achando-te o País de Abril.


Manuel Alegre, 30 Anos de Poesia, Publ. Dom Quixote

19 de abril de 2008

Revisitar para lembrar

Cartaz: David Figueiredo
Revisitar para Lembrar... eis o mote para o painel de intervenções sobre os anos da guerra, da prisão e da clandestinidade, antes de Abril de 74.
Esta é a primeira de uma série de iniciativas planeadas pela Biblioteca escolar da ESAF para celebrar a liberdade e lembrar que esta não é nunca um bem adquirido em definitivo, mas que se constrói dia após dia, fruto de uma cidadania que se quer interventiva e não passiva, de uma cidadania que se for viva e interveniente é o tónus mais importante para a vitalidade da democracia.

Vamos celebrar Abril. Vamos celebrar a História, contando histórias, histórias de vida...
Apresentação prévia de um poema de Ary dos Santos e de um curto documentário (realizado a propósito - Prof. João Lemos) sobre memórias pessoais da Guerra do Ultramar (Guiné). Moderação a cargo da Prof. Helena Santos.
Local: Biblioteca escolar da ESAF
Data/hora: 21.Abril | 21:30
Finalidade: cultural e pedagógica

Uma nota para o cartaz - original elaborado por David Figueiredo, prof. de artes visuais e oficina multimedia, especialmente para as iniciativas da biblioteca escolar da ESAF.

15 de abril de 2008

Vamos celebrar Abril

Abril de Abril

Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.

Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.

Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.


Manuel Alegre, 30 Anos de Poesia, Publicações Dom Quixote

Na próxima semana - a semana do 25 de Abril - a BE recebe e apresenta um conjunto de iniciativas que visam relembrar e celebrar a importância das conquistas de Abril, com depoimentos, poesia, música e uma performance teatral.

No quadro dessas iniciativas celebrará, também, a 23 - o Dia Mundial do Livro.

Com uma ou outra alteração eventual, eis o programa base.



Read this doc on Scribd: Prog 25 Abril e Dia Mundial do Livro

14 de abril de 2008

O QUE É O TEATRO? exposição na BE

A Biblioteca é sempre, só por si, um bom motivo para ser frequentada e utilizada no quadro de todas as suas valências, mas há algo mais por aqui que não vai deixar de o fascinar. Uma exposição pedagógica de incontornável dimensão cultural que o fará levantar os olhos dos livros ou do monitor do computador e seguir, desde as origens à actualidade, a antiquíssima história do Teatro. A exposição de 25 painéis, magnificamente documentada, repleta de fotografias e gravuras marcantes do teatro mundial e nacional, serve-se da interrogativa como título muito pedagógico: “O que é o Teatro?”.
Esta é uma iniciativa que a Biblioteca acolhe, no âmbito da comemoração do Dia Mundial do Teatro (27 de Março), por via da colaboração que a Biblioteca Municipal de Barcelos presta e é resultado de uma produção/edição do Ministério da Cultura/Direcção Geral das Artes (AGEN/Território Artes).
Segundo a ficha técnica, esta mostra dedicada a uma das artes mais polivalente “pretende, através de imagens e texto, abordar de forma pedagógica o Teatro, a sua expressão ao longo do tempo, os intérpretes, os autores, os textos, os públicos, os aspectos sociais e os espaços de representação”. Ainda segundo a nota do Comissariado Científico (Maria João Brilhante/Centro de Estudos de Teatro), a mostra foi “concebida como objecto de grande divulgação, com o propósito de atingir um público alargado e não familiarizado com o teatro, a Exposição apresenta-se também como um suporte de referência para o público jovem e escolar”.

Professores e alunos, mas também a comunidade envolvente (não esquecer que os próximos 18 e 19 de Abril são dias de Escola Aberta, no âmbito das Comemorações do Cinquentenário da Escola – mais um motivo para vir até cá), podem percorrer a sequência de painéis expostos no espaço da BE (respira-se cultura!) e mesmo consultar um dos catálogos de suporte à exposição.
Venha ver, venha ler!

7 de abril de 2008

O Mundo Mágico dos Livros e da Leitura

Concurso de Fotografia Digital (dirigido aos alunos da ESAF)
cartaz de David Figueiredo

Aí está um concurso que não vai deixar escapar.
Afinal é só lançar mão à máquina fotográfica e, de olhos bem abertos e criatividade à solta, capturar uma ou duas imagens sobre algo em torno destes conceitos: livro/leitura.
Atenção: isto é para já, pois que o prazo limite de envio dos originais termina a 21 de Abril.
Enquanto vai magicando numa ideia fotográfica é aconselhável que, antes de capturar a luz, leia já de seguida o Regulamento (disponível também na BE.
Vamos a isso?!

2 de abril de 2008

Dia Internacional do Livro Infantil

Hoje - 2 de Abril - celebra-se o Dia Internacional do Livro Infantil.DGLB
Também a 2 de Abril, só que de 1805, nascia em Odense - Dinamarca, um dos mais famosos escritores de contos para crianças e adultos, Hans Christian Andersen, que também foi poeta, artista, dramaturgo, pensador existencialista, jornalista, crítico, tradutor, narrador de viagens... (cf. Os Contos de Hans Christian Andersen, Edição Público, 2004).
Em ano bissexto, como o que corre, vale a pena seguir um certo conto sobre os dias da semana, intitulado UGEDAGENE e que nos relata o que se segue: "Certa vez, os Dias da Semana decidiram que também tinham direito a divertir-se. Andavam tão ocupados durante todos os dias do ano, que não encontravam um disponível, para se juntarem e fazerem uma festa. Precisavam de descobrir um que fosse extra. No fim de cada quatro anos havia sempre o dia intercalar que se põe no fim de Fevereiro, para trazer ordem à contagem do tempo. Foi nesse dia que decidiram fazer a sua festa." (continuar a ler)

31 de março de 2008

Em Abril celebra-se o Livro... e a liberdade

fonte: UNESCO - Poster com inserção de texto em Português
Cartaz da UNESCO referente ao Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor - 2008.

No próximo dia 23 de Abril celebra-se pela 13ª vez o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Este tributo ao livro enquanto instrumento de cultura, educação, comunicação, teve a sua primeira edição em 23 de Abril de 1996, sob a chancela da UNESCO.
A celebração do livro, em todo o mundo, visa fomentar a leitura (como todas as valências que lhe estão associadas) e com ela a protecção da propriedade intelectual (por via do direito de autor).

Porquê Abril e a 23?

Em 23 Abril de 1616 morriam Cervantes, Shakespeare e o Inca Garcilaso de La Vega. Também num 23 de Abril nasceram ou morreram outros escritores eminentes como Halddór Laxness, Maurice Druon, Vladimir Nobokov ou Josep Pla. Por este motivo, esta data, de algum modo simbólica para a literatura universal, foi a escolhida pela Conferência Geral da UNESCO como tributo mundial ao livro e aos autores. Com esta data, pretende-se ainda uma chamada de atenção, sobretudo dos mais jovens, não apenas para o prazer da leitura, mas também para o respeito pela insubstituível contribuição dos criadores no enriquecimento das dimensões social e cultural da Humanidade. A ideia desta celebração teve origem na Catalunha (Espanha) onde, a 23 de Abril, é tradição oferecer uma rosa ao comprador de um livro._ Fonte: UNESCO (trad. e adapt. de texto)

"Li, gostei e recomendo" - a palavra aos leitores

O que nos diz Cátia Silva, aluna do 11º ano, na ESAF, sobre um livro que leu, gostou e recomenda:

Como Água para Chocolate
Autor: Laura Esquivel
Nº de págs. 242
Editora: ASA




"Gostei muito de ler este livro porque aborda uma cultura diferente da nossa, com os seus próprios costumes e tradições.A história passa-se no início do século XX, numa família rural e monoparental mexicana, onde nascem três filhas e, por tradição, a mais nova é destinada a ficar em casa a tomar conta da sua mãe. Nina é a filha mais nova da mamã Elena e não concorda com esta decisão porque, como está apaixonada por Pedro, quer casar com ele e viver com ele. Porém, está impedida de o fazer porque lhe está destinado, desde quando nasceu, auxiliar a mãe até à morte.
É óbvio que esta tradição é injusta porque revela, por um lado, um certo egoísmo da parte dos pais, pois estes impedem os seus filhos de viverem a sua vida, de realizarem os seus sonhos. Por outro lado, quando estas filhas mais novas envelhecerem, quem irá tomar conta delas?
Toda a história deste livro gira à volta da cozinha e, por isso, cada capítulo começa com uma receita original e aparentemente deliciosa.
À medida que fui lendo este livro, comecei a sentir-me como se estivesse entre aquela família, a presenciar todos os momentos deste romance. Fez-me aperceber a diversidade cultural do mundo, mas também a das tradições desajustadas e ultrapassadas. Enfim, recomendo este livro... diferente!"

Cátia Silva, 11ºF

21 de março de 2008

Motivo

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem so
u triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e di
as
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Cecília Meireles


Na Igualdade da Torrente

Na igualdade da torrente, uma só árvore,
palavras e pedras acolhendo
uma cabeça ao ritmo das vagas,
e uma sombra oval sobre as espáduas,
respirando lentamente o ar redondo,
os reflexos nos ramos, semelhanças
de um sopro, os anéis do dia,
sem fim nem centro a inacabada arca
que sobre o mar, errante, é a permanência.

António Ramos Rosa, Acordes

Olá Poesia!

Há sempre um motivo,
sempre um motivo
para celebrar
a sombra de uma árvore
ou o seu tronco
as suas raízes
ou as suas folhas
a sua seiva
ou o seu ser.

Há sempre um motivo,
sempre um motivo
para celebrar
o poema
ou o seu ritmo
a sua harmonia
ou a sua música
as suas palavras
ou a sua poesia.

Há sempre um motivo,
sempre um motivo
para neste dia
luminoso dia
celebrar
a árvore
e a poesia.

jd