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6 de dezembro de 2007

A "emozão" ao rubro!

A sessão lúdica e cultural agendada para a noite de ontem (5/12) na Biblioteca, prometia algo diferente e desconcertante. “EMOZÃO”, assim foi designada e publicitada a actividade que aludia a um confronto entre Razão e Emoção, mas deixava a pairar um certo ar de mistério. Pouco antes do início da "soirée", nos corredores de acesso ao espaço da Biblioteca, ouvia-se, em surdina: “que tipo de confronto vai afinal decorrer na Biblioteca, esta noite?” dizia um; “fala-se de um confronto sem tréguas entre Razão e Emoção / Emoção e Razão”, dizia outro mais avisado; e outro ainda, interrogava-se sobre que modo ocorreria tal confronto, ali, entre os livros; ali, na Biblioteca?! Nada como esperar pelas 21h30m.

Chegado o momento: quem dobrou a entrada da biblioteca deparou-se com um cenário nada habitual num espaço destes; no escuro, brilhavam dezenas de pequenas velas, que conferiam à envolvente um toque quase mágico – livros, mobilrio, pessoas, semblantes difusamente iluminados pelas trémulas chamas. Ao centro, entre estantes, quatro velas vermelhas e um livro sobre uma mesa. Num recanto mais ao fundo e pouco iluminado, dois vultos moviam-se entre os livros, preparando algo. Elementos da comunidade educativa iam chegando e ocupando lugares na sala de leitura. Aguardavam expectantes o que iria suceder-se, quando alguém, em passo rápido, avança para a boca da cena, senta-se numa cadeira e, acto contínuo, abre o livro que há pouco repousava, sob a luz das velas, no tampo da mesa. Sucedem-se, com cadência, as palavras que da sua boca emergem. Palavras que enchem o espaço e atingem todos e cada um, palavras de Eugénio de Andrade (“São como um cristal as palavras”); palavras de Mário de Cesariny, palavras que anunciam outras palavras (“entre nós e as palavras há metal fundente, / entre nós e as palavras há hélices que andam…”_in You Are Welcome To Elsinore); palavras que deram o mote às que se seguiriam, as palavras da “Emozão”.

“Comovo-me. / Eu sou a comoção / Contemplo / O sol caído no horizonte, / a estrela que cintila no céu negro, / o campo que se estende...” troou a voz de uma das personagens – a Emoção; “Oh, sim, sim, / tão simples que perdes a importância que poderias ter, que deverias ter!” – ripostou a voz da Razão.

Naquela espécie de palco, à luz das velas, duas figuras
de negro trajadas, caras mascaradas com pensada simetria e voz liberta, fizeram vibrar o ar com sibilante intensidade. As palavras ganharam corpo e materializaram ali o eterno confronto entre duas dimensões da natureza humana: Razão e Emoção. De um lado a Razão; do outro, a Emoção. Eis o confronto que se anunciara.
E assim foi, por largos minutos de sortilégio pareceu
fulgir ali um pouco daquela intensidade dramática que associamos à tragédia grega, numa outra escala é certo (quiçá haja ainda a oportunidade para um Coro!), mas tocante.
Todos os que à biblioteca se dirigiram, assistiram a uma representação vibrante e intensa, assente num texto por vezes dolente e poético, outras cru e frio, quase trágico.
Momentos que cabem por inteiro no espaço de uma bibliot
eca - porque não? A biblioteca como espaço de difusão de saberes, de recursos imprescindíveis ao acto pedagógico, pode ser também espaço difusor de momentos de cultura e animação. Espaço que pode e deve contribuir para a emergência de novas modalidades de acção educativa. Pois, a formação do ser humano não pode ser predicada de integral, se no seu seio não albergar também a dimensão lúdica e artística, porque muito do seu húmus passa por aí. A par das aulas que preenchem o nosso dia a dia, dessa dimensão mais formal de chamar ao conhecimento e às competências, desse labor de todos quantos querem tornar os seus alunos melhores cidadãos, é bom sentir também a refrescante brisa do que a cultura tem para nos dar.

Resta, pela inspirada leitura dos poemas de Eugénio e de Cesariny (prof. José Veiga); pela portentosa interpretação de um texto da sua autoria, também ele desassombrado e intenso, (professoras Marieta Barbosa e Virgínia Rafael) o nosso agradecimento, que não esconde a vontade de ver repetidos momentos como este. (JD em nome da Equipa da Becre).
Finalmente, como resistir a postar algumas fotos da sessão e o texto integral apresentado a público.

JD/07

"EMOZÃO"

texto de: Marieta Barbosa e Virgínia Rafael

(para aceder ao texto, numa outra página, clique aqui)

Emoção:
Comovo-me.
Eu sou a comoção.
Contemplo.
O sol caído no horizonte, a estrela
que cintila no céu negro, o campo
que se estende...
Quieta, muda, observo e comovo-me
com gestos simples.

Razão:
Oh, sim, sim,
tão simples que perdes a
importância que poderias ter, que deverias ter!

Emoção:
Frívola, deixo-me vaguear...
A emoção...
E tu sempre pronta a lembrar o que
está certo. Ai, não te atrevas, não te
atrevas...

Razão:
O quê? Aqui quem dá ordens sou eu!
Nem tentes! Não te atrevas tu!

Emoção:
Queres-me hirta, rigorosa, lúcida,
bem comportada.
Como posso?

Razão:
Podes, claro que podes. Escuta-me, segue o meu exemplo. Eu nunca me envolvo nas coisas do coração. Sabes porquê? Porque não quero sofrer! A vida é demasiado efémera e fugaz para que não a viva com tranquilidade.

Emoção:
Ouve! Eu resido no âmago. No silêncio sombrio.

Razão:
Levanta-te, ouviste? Eu quero que te levantes! A comoção esmaga-te.
Escuta-me! Escuta-me!

Emoção:
Eu sou o riso simples de quem é feliz.
A mão dada a um adolescente
apaixonado.
A pirueta pueril da criança que finta
o amigo.
O rubor do primeiro beijo.
O bater leve e lento de um coração
que se desprende.

Razão:
Ah, sim.

E por isso também és
a decepção, a frustração, a raiva
a ira, a dor, a angústia. Quer
queiras, quer não, és
desassossego permanente.

Emoção:
Sabes lá como eu sou...

Razão:
Sei pois!

Emoção:
Sou a fome daquele corpo vítima do
poder de outros.
Sou a mulher retalhada que se
desdobra na vida.
Sou a mácula deixada no rosto
da criança maltratada.
Sou o homem vertical prestes a
desmoronar-se.
Não podes saber como fazem.
Porque tu não és...

Razão:
Não, realmente não sou, não quero ser
e jamais serei um joguete
nas tuas mãos.

Eu penso e porque penso, logo existo;
E se existo, logo quero, posso e mando!

Emoção:
Eu trago-os dentro de mim.
Eles levam-me sempre com eles.

Quando se recolhem nos seus
quartos o que nasce?

Razão:
Lá vai ela sentir.
Que maçada! Que maçada!

Emoção:
A raiva contida
O amor sofrido,
A palavra magoada,
A luta desistida,
As ilusões vendidas,
A esperança encarcerada,
A nódoa negra…
A nódoa negra que entope a alma.

E choram...E eu choro...

Razão:
Sois todos uns fracos!
Como me envergonham!
Não valem nada!
Não chegam sequer a ser nada.

Emoção:
Curvam-se sobre o ventre e doem as
entranhas
Rasgam-se as entranhas
Odeia-se, ama-se, resiste-se
E o ventre apoderado de dores
Saca do peito o coração
E ventre e coração anestesiam-se
mutuamente...

E homens e mulheres,
Adolescentes e jovens,
Crianças e velhos
Recolhidos no seu quarto
Desprendem-se de ti.

E choram... E choram...
E sentem…E sentem...

Razão:
Sim, sim, mas só enquanto eu permito e me interessa.
Quando me escutam,
seguem-me rigorosa e cegamente.
Cumprem escrupulosamente o que eu quero,
nem que para isso tenham de se anular,
vivendo como mortos vivos, em caixas de matéria
que vai apodrecendo e cheira mal.
A mim nada disso me incomoda. Eu não tenho sentidos.
Jamais poderei vivê-los. Eu sou antes o rigor, o método
a disciplina, o que se deve ser e
não o que se é ou se quer ser. E eu vencerei! Vê como o mundo me segue. Onde está a Tolerância? A Justiça, a Fraternidade, o respeito pela Vida, pela Natureza, pelo Eu que os habita? Não tens outra saída. Eu venço sempre!

Emoção:
Eu sei o que lhes pedes:
Não chores
Não mostres a tua fraqueza,
Não te curves,
Não lances a mão à cintura,
Não praguejes,
Não grites,
Não fales alto,
Não te comprometas,
Não sintas,
Não te comovas.
Ora, não te envolvas.
Mas ofende sem rubor,
Magoa com educação,
Lixa os outros e olha-os de soslaio.

E homens e mulheres,
Adolescentes e jovens,
Crianças e velhos
Vivem em partes de si
Amortalhados
Na aparência podre, suja…
Alguém os convenceu
Que se se comoverem são fracos,
Vulneráveis, frágeis…

Razão:
E não é verdade? Vê como eu impero.
Já ninguém quer ser fraco, vulnerável ou frágil.
Por isso assistimos a um mundo onde já ninguém chora ou ri: o mundo do faz de conta.
O mundo que eu quero que exista; porra!
Eu tenho que ter,
eu tenho que brilhar,
eu tenho que ter sucesso,
nem que para tal te abafe, te esmague, te destrua.

Eu sou a fama,
eu sou o poder,
eu sou tudo a qualquer preço.

Só me falta a glória!

Emoção:
E eu a que assisto?
A gente doente de tão séria
Muros intransponíveis
Carácteres reservados
Frios, agrestes, enlutados, feios,
horrorosos.

E eu comovo-me
Ao ver como estou neles
Pertinho da explosão
E aí até tremo
Meu Deus eles vão perder a cabeça
porque nasceu-lhes nela o coração.

Mas não.
Controlam-se.
Retrincam-se.
Fabricam-se.
Comportam-se.

Razão:
E porquê?
Porque eu sou mais forte. Eu
tenho aliados e o interesse e a
ganância fazem o resto! Eu só
dou um empurrãozinho,
mostro-lhes um filme com um
final feliz e ei-los! Até se
esmagam, se atropelam, se trincam,
se espezinham, se destroem.,.
Sou ou não sou poderosa?

Emoção:
E o ódio espalha-se pelo corpo.
Preparam a fisga para nova
investida.
Depois vão para o quarto
E choram... E choram...

Razão:
E o mundo do faz de conta
continua!...Não tenho eu
razão? Tenho pois!

Emoção:
E eu que vivo neles e por causa deles.
Não me apetece chorar...

Razão:
Pois não, porque eu te espreito a cada momento e até tu serás minha!
Estou prestes a consegui-lo.
Tu serás minha! Camões escutou-te, mas os homens seguiram-me.
Pessoa escutou-se e tu venceste outra vez.
Até com Reis conseguiste o «carpe diem», mas os homens continuam a seguir-me em linha, todos direitinhos ao abismo.

Chegou a tua hora.

Também serás minha!
Eu serei a dona do mundo e dos homens, nem que tenha que te matar para sempre!

Emoção:
Como te enganas!
Quando eles se acobardam..,
Aí, enrolam-se-me os membros e grito-lhes:

Eu sou o tudo e o nada,
A dor e o prazer,
A vida e morte.
Eu sou o teu porto de abrigo,
Teu quarto sombrio e calado.
Eu sou o saco de água pura
Que trazes escondido no teu olhar
À espera que a barragem se deixe soltar.
Eu sou a tua lágrima pressentida,
A tua dor sucumbida,
A tua alegria desbravada,
A tua raiva merecida,
A tua mágoa sofrida,
A tua gargalhada estridente,
O teu amor embalado.
Eu sou o teu pecado e a tua
redenção.

Eu sou A EMOÇÃO!
Eu sou a EMOÇÃO!


Razão:
Ai não, não, larga-me! Não me atinjas!
Eu quero dominar-me
Eu quero vencer!

(A Razão, já prostrada, chora. A emoção contempla-a e abraça-a. Fundem-se numa só e, num grito final, exclamam: Nasceu a EMOZÃO)

Exposição: Direitos e Deveres

Na Biblioteca da Escola Secundária Alcaides de Faria em Barcelos está em curso uma exposição sobre Direitos e Deveres em Sociedade. A iniciativa partiu dos formandos do Curso de Educação e Formação de Adultos de Dupla Certificação em Práticas Administrativas, faz parte do Tema de Vida Direitos e Deveres do Desenho Curricular do curso e foi apoiada pelos formadores das diversas Áreas de Formação.
A exposição encontra-se estruturada em três componentes distintas. Uma de recolha de dados sobre os direitos e deveres em geral, com referência aos direitos e deveres da saúde, do trabalho, dos alunos e professores na escola e a alguns números sobre as violações dos direitos humanos no mundo. Outra de recolha de opiniões sobre a ocorrência e respeito pelos direitos humanos sob a forma de quadro interactivo aberto à colaboração dos visitantes.

Finalmente uma terceira dedicada à Língua Estrangeira – Inglês com a composição de uma árvore desenhada em papel branco, com dimensões aproximadas de 2,5mx0,8m, onde estão identificadas as raízes e as folhas que o grupo de formandos considerou, em memória descritiva, como os mais significativos direitos humanos.

Este trabalho foi desenvolvido pelos formandos António Ribeiro, Francisco Brito, Hugo Carreira e Maria Paula Simões (a Vera Ferreira encontra-se a recuperar de uma intervenção cirúrgica).
Como introdução à exposição foi projectado, na sala da Biblioteca, o filme “A Vedação” sobre direitos humanos na Austrália. Paralelamente foi desenvolvida a criação de páginas na Internet sobre a exposição.
Os cursos EFA caracterizam-se pela adopção da Metodologia de Projecto na realização de Actividades Integradoras que contribuirão para a demonstração de competências de acordo com um referencial de dificuldade crescente.
No final de cada Tema de Vida, que poderá ser constituído por uma ou mais actividades integradoras, os alunos serão avaliados pela demonstração de competências entretanto detectada ao longo do processo.
O papel principal cabe aos formandos mas, os formadores orientam, ajudam e abrem caminhos para uma verdadeira formação ao longo da vida. Neste momento, a equipa de formadores é constituída pelos seguintes elementos: Celeste Dias, Conceição Duarte, Fátima Loureiro, José Carlos Campos, Teresa Marques e Victor Seco.

É um sistema novo e desinstalador de posicionamentos face aos processos de ensino-aprendizagem mais utilizados. No entanto, é motivador tanto para formandos como para formadores e tem vindo a afirmar-se como elemento dinamizador da vida escolar no período nocturno. por Victor Seco

3 de dezembro de 2007

Podem as páginas de um livro...

Este texto testemunha o encontro entre uma mulher desencontrada de si mesma e o retrato do seu próprio eu, ocorrido aquando duma visita à Biblioteca da Escola Secundária Alcaides de Faria.

Naquele dia viera mais cedo.
Um sentimento de angústia crua e amarga inibia-lhe o sorriso. Olhava os outros como a turba que a comprimia até às entranhas. Enjoada das realidades doentias e abomináveis, escrevera nessa mesma madrugada um belo hino à beleza e à juventude que se lhe vinham esquivando, cada vez mais freneticamente.
Chegou, abriu melancolicamente a porta; olhou sem nada ver e como que instintivamente, abeirou-se de uma cadeira; puxou-a para si e abandonou-se a ela.
Incapaz de uma pronta resposta à mágoa avassaladora e madrasta que lhe batia de uma forma cadenciada no mais profundo do eu, aquela mulher de olhar vivo e conturbado, como inquisidora implacável a mando do espírito, rebusca e rebusca e volta a rebuscar o motivo de tal estado de alma, sem contudo o encontrar.
Numa atitude de justificar a utilidade do momento, olhou vagamente em redor, acabando por se deter numa parede, onde, exposto, estava um trabalho executado com originalidade e poder criativo: o livro “O retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde, aberto nas páginas 34 e 35, aprisionado por arames que se entrecruzavam
despertara-lhe a curiosidade. Levantou-se, e já cara a cara, o livro sorriu. Incrédula, olhou-o de novo, de novo sorriu.
Estaria louca?
Tentando decifrar a intenção do criador, contemplou, reflectiu e leu:
Tenho ciúmes de tudo em que a beleza não morre. Tenho ciúmes do meu retrato que você pintou. Por que há-de ele conservar o que tenho eu de perder? Cada momento que passa rouba-me algo, e dá-o a ele. Ah, se acontecesse ao contrário! Se o retrato pudesse mudar e pudesse eu ser sempre como sou agora!”
Sentindo a força e o poder daquelas palavras, agora despidas, invadindo, sugando-lhe o ser… também os olhos (os seus) como os de Dorian Gray, “se arrasavam de lágrimas escaldantes”…
Encontrara inesperada e finalmente a razão de tanta angústia, tanta mágoa, tanta dúvida, tanta tristeza inexplicável!
Tudo era agora tão claro! ...

por Méssá

Uma nota de rodapé:
São sempre bem vindos estes exercícios de escrita, estes "desvendares" de estados de alma, estes olhares sobre o que nos cerca e dos reflexos que daí emanam... mostram que este espaço pode ser um espaço de interacção. Um espaço vivo.
Obrigado Méssá, cá esperamos mais textos teus.

1 de dezembro de 2007

Sessão (experimental) de poesia















































































JD/07


O
mote para a iniciativa tinha como referência uma aproximação poética ao "espírito científico", numa semana em que se assinalava a cultura científica (o Dia Nacional da Cultura Científica foi a 24 de Novembro). Para tal, nada como recorrer a um poeta que nunca abdicou da vivência científica, mas que a par da divulgação, da investigação e da pedagogia, soube também temperar a fórmula poética - António Gedeão ( pseudónimo ou, se quiserem, alter-ego de Rómulo de Carvalho, homem da ciência e das letras, para quem ciência e poesia sempre andaram de mãos dadas). Numa sessão singela mas envolvente (no passado dia 29.Nov.), um grupo de alunos (11ºU) - os ONZU´s - o prof. José Veiga, com a colaboração da equipa BE/CRE, apresentaram três criações pticas do autor, "Poema para Galileo", "Lágrima de Preta" e "Pedra Filosofal".
A sessão iniciou-se com a leitura performática de "Poema para Galileo" (sim, um dos precursores da Ciência Moderna, experimental e rigorosa); relembrando a dignidade do homem que teve que enfrentar em julgamento, nos meados do Séc. XVII, as "eminências graves do Santo Ofício".
Relembrado Galileu, um salto para a química da lágrima, no fundo a química do sentimento, com a leitura encenada do poema "Lágrima de Preta", e a constatação, afinal, de apenas água e cloreto de sódio, "nem sinais de negro, nem vestígios de ódio". Sentimento puro.Seguiu-se "Pedra Filosofal", cantada em grupo e ao som da guitarra. Repetiu-se a experiência, num "encore" que pareceu agradar a todos quantos se deslocaram à Biblioteca na noite fria. Houve ainda tempo, enquanto se arrumavam adereços, mesas e cadeiras, para um diálogo sui generis entre um banjolim e uma guitarra - o som de fundo perfeito para um bom fim de noite na escola.

24 de novembro de 2007

À conversa com José Rui Teixeira

A convite do Clube Jacobeo da ESAF, o poeta veio à Biblioteca e... falou dos "lugares do eu", da vida, do sentido da vida, da morte, de perdas e de renascimentos, de vidas vividas sem sentido, da "não-vida" da vida, do eu inteiro em cada gesto ou palavra, da temporalidade, da marca ontológica do estar aí, do estar aqui, de histórias simples (de tão complexas). Falou da imposição (pesada, angustiante, devastadora) dos tempos que correm; de uma certa obrigação de se ser feliz, de uma perpétua euforia, vertiginosa e voraz! Desacomodou e a audiência gostou.
A conversa com o poeta de "Para Morrer" e "Oráculo" (dentre outras), que prendeu a atenção de mais de meia centena de alunos, não cessou sem que antes fosse lida a sua última obra: "Zerbino".

Ver slideshow

22 de novembro de 2007

O leitor do mês

"O verbo ler não suporta o imperativo.
É uma aversão que compartilha com outros:
o verbo "amar"... o verbo "sonhar"... Daniel Pennac


Ou antes a leitora...
Entre os muitos leitores/utilizadores da BESAF, destacamos uma aluna que leu uma mão cheia de livros, porque quis, desejou, escolheu... sem obrigações, apenas pelo prazer de ler.
Chama-se Acácia Silva (7º D), a leitora do mês de Outubro.

21 de novembro de 2007

Sexta_23 || Um poeta na Biblioteca

Nunca alinhei árvores em planos oblíquos
nem incendiei memórias pelo instante
onírico que dura o fogo nos olhos.
Imaginei objectos inclinados em planícies
como pássaros sem pátria ou livros abertos
ou mãos pousadas sobre mesas.

Há um secreto esplendor no teu rosto parado,
como o silêncio do meio-dia ou as tardes de verão.
Imagino-te suspensa no precário equilíbrio
do meu corpo em ascensão, redimido na natureza
luminosa do teu movimento sobre a estância
febril do meu desejo. Há um mistério denso
no labor das tuas mãos, antigo como madrigais.

Tu esculpes os feixes de luz por onde caminho
ressuscitado e incendeias a percepção do tempo
no instante onírico que dura a minha mão na tua.
José Rui Teixeira, in O Fogo e outros utensílios da luz , Edições Quasi (2005)

Na próxima sexta-feira, pelas 15h, a Biblioteca recebe o poeta José Rui Teixeira que, num encontro com alunos e com quem quer que da comunidade educativa deseje vir ouvi-lo e conversar, nos virá falar em torno d` "Os Lugares do Eu". O poeta, que acedeu a um convite endereçado por Justiniano Mota (Prof. de EMRC na ESAF) para se deslocar à nossa Escola, é autor das obras: Vestígios (2000), Quando o verão acabar (2002), Para Morrer (2004), Melopeia (2004), Assim na terra (2005), O Fogo e outros utensílios da luz (2005), Oráculo (2006), Zerbino (2007). Uma nota biográfica e algo mais: aqui.

Ainda a propósito do Dia Internacional da Tolerância

Em resultado das reacções ao desafio que lançamos, em forma de folha volante, pelas mesas da biblioteca, mas também por outros locais da escola, onde apenas se solicitava aos alunos e outros elementos da comunidade escolar que deixassem uma simples ideia sobre a Tolerância e que completassem (tipo acrónimo), com palavras conexas, cada uma das letras constituintes da palavra; eis um pouco daquilo que respigamos:

T otalidade; ternura; temperança; tempo; tradições; tolerar; trabalhosa...
O utro; ouvir; organização; opinião; optimismo; orgulho (pôr de parte)...
L iberdade; luta...
E sperança; encontro; espírito (de); emoção; entendimento; empenho...
R espeito; relacionamento; razão; realidade; rir; reflectir; religião...
 mago; ânimo...
N ão rejeitar; natural; natureza (de cada um); não ao racismo e à exclusão; necessidade...
C ultura; compreensão; compromisso; construção; carácter...
I mparcialidade; inteligência; impaciência; identidade
A mizade; aceitação; amparo; amor; amizade; ajuda; alegria...


Comentários, opiniões, ideias, frases soltas (de alunos):

"Tolerância - é sermos compreensivos com os outros, aceitar todas as diferenças e respeitarmo-nos mutuamente."

"As pessoas deveriam ser mais tolerantes; existem personalidades difíceis e como não as podemos mudar aprendamos a lidar com elas."

"Entre os seres humanos encontramos diferentes identidades, gostos, tradições, religiões, culturas. Para viver em sociedade é necessário ser tolerante e respeitar o outro, as suas opiniões e crenças. Só assim, o homem se torna ser humano." (Acácia e Cátia Silva - alunas)

"No mundo em que vivemos as pessoas parecem ser cada vez mais intolerantes. Acabemos com isto! Perdoem, amem, ajudem, compreendam, tolerem! E o mundo será mais feliz" (Cármen - aluna)

"Para conseguirmos viver em sociedade temos de saber ser tolerantes, sofrer com os erros dos outros, mas não virar as costas ao mundo, antes lutar por ideais correctos. Ser tolerante é a chave para conseguirmos ver a realidade."

"Tolerar é compreender o "outro" .

17 de novembro de 2007

Frases soltas em torno da Tolerância

Na sequência do desafio proposto pela BESAF, a propósito do Dia Internacional para a Tolerância, assinalado ontem, eis algumas das frases soltas escritas por alunos acerca do significado deste valor a defender:

"Ser tolerante é crescer em sociedade."
"Tolerar não é concordar, mas aceitar, mesmo discordando."
"Não tolerar a falta de tolerância, não é ser tolerante."
"O amor mais tolerante é a Amizade!"
"Tolerar é perceber os outros, mas também compreendermo-nos a nós próprios." "Intolerante é esquecer a Tolerância... Sê tolerante, se queres ser tolerado!"
"Tolera-te a ti e aos outros e serás mais feliz!"
"Ser tolerante é compreender as nossas próprias intolerâncias."
"Ser tolerante é ver o avesso."
"Ver de todos os ângulos. Isso é tolerância."
12º G

"Tolerar é ler o livro que o outro é!"
"Tolerar é partilhar com luz!"
"Intolerante é quem quer agarrar o mundo só para si; é ser só!"
"Ser tolerante é aprender com a intolerância dos outros!"
"Tolerância? Globalização? É Hora!"
"Ver os outros aos quadradinhos, cada vez mais ínfimos... até ao infinito... "
"Tolerar é ter um bocadinho mais de cérebro a funcionar."
"A tolerância está no indivíduo; o grupo é que, muitas vezes, não deixa ver !"
"Ser tolerante é deixar Ser!"
"A tolerância também se ensina!"
12º F

"Pessoa tolerante, mente brilhante!"
"Ser tolerante é auto-controlar-se."
"Se tens tolerância, terás elegância!"
"Tolerância! Forma corajosa de encarar a realidade..."
"Não ser tolerante é ser ignorante!"
"Se tens tolerância, tens importância!"
12º M

15 de novembro de 2007

16.Nov. ||| Dia Internacional para a Tolerância

fonte: www.tolerance.org/

Em 1995, com a aprovação da Declaração de Princípios sobre a Tolerância, a UNESCO instituiu um Dia Internacional para a Tolerância, a celebrar no dia 16 de Novembro de cada ano. Do seu texto retiramos excertos que nos devem fazer reflectir sobre o mundo que nos rodeia; sobre a constante emergência da intolerância nas relações entre pessoas, comunidades e povos.

"A tolerância é o respeito, a aceitação e o apreço pela riqueza e a diversidade de culturas do nosso mundo, pelos diferentes modos de expressão (…)
É a harmonia na diferença.
[…]
A tolerância não é concessão, condescendência, indulgência. É, antes de tudo, uma atitude activa fundada no reconhecimento dos direitos universais da Pessoa.
[…]
A prática da tolerância significa que cada pessoa tem a livre escolha das suas convicções e aceita que o outro desfrute da mesma liberdade.
[…]
A educação é o meio mais eficaz para prevenir a intolerância.
[…]"

in Declaração de Princípios sobre a Tolerância (UNESCO)

A intolerância tem normalmente a sua origem na ignorância e no medo; medo do desconhecido, do “outro”, de outras culturas, religiões, nações. Encontra-se ligada a um sentimento exacerbado de auto-estima e orgulho…

A Equipa da Biblioteca convida-te a assinalar este dia escrevendo, para isso, pelo menos uma ideia simples que promova a tolerância e celebre a diversidade. Deixa um sinal de ti numa das folhas soltas que encontrarás na Biblioteca e noutros locais da Escola ou, em alternativa, serve-te do espaço de comentários deste blogue.

Reflectir é preciso

Assinala-se hoje, 15 de Novembro (3ª Quinta-feira do mês), o Dia Internacional da Filosofia, instituído pela UNESCO,em 2002, com o objectivo de celebrar, em todo o mundo, a necessidade da reflexão filosófica. O tema deste ano prende-se, segundo Koichiro Matsuura (Director Geral da UNESCO), com a problemática da consolidação de diálogos (filosóficos, políticos, interculturais) e do entendimento mútuo em torno das memórias e valores partilhados, das ambições e dos projectos comuns.
Jacques-Louis David, A Morte de Sócrates

8 de novembro de 2007

Nova enciclopédia

Já se encontra ao dispor dos utilizadores da BESAF, para consulta no espaço da Biblioteca, a Grande Enciclopédia Planeta (18 Vols.). Em breve, será também disponibilizado, nos computadores da BE/CRE, acesso ao suporte multimédia desta enciclopédia.


3 de novembro de 2007

Halloween na Biblioteca

Tendo como mote a saudação às longas noites de Inverno e convocando o imaginário próprio da celebração do Halloween, esse ritual ancestral com origens célticas e desde há longos séculos popularizado na cultura anglo-saxónica; a Biblioteca da nossa escola, no quadro das iniciativas de dinamização cultural, apresentou, no dia 31 de Outubro, uma aproximação literária e lúdica ao tempo de Halloween. Para além da abóbora evocativa, que ao longo do dia, exposta no balcão de atendimento, foi chamando a atenção de uns e de outros, a tarde e a noite revelou o prato forte. Pela tarde, alunos e professores de algumas turmas do Básico, assistiram à performance “dramático-vocal” de Rui de Campos (professor da Área de Inglês e Alemão) que levou à cena a leitura adaptada do conto “The Fall of the House of Usher “ (“A Queda da Casa de Usher” ) de Edgar Allan Poe, ao som de Erik Satie e de uma sequência de imagens em fundo.
A noite, essa, trouxe consigo emoções fortes. Pelas 22h30, sala de leitura cheia, lâmpadas apagadas, computadores em descanso e, no escuro, a luz alaranjada da abóbora, iluminada por uma vela tremeluzente, conferia ao momento e ao espaço a tensão própria de quem está para assistir a algo de fantástico e misterioso. A leitura do conto de Poe, graças ao poder interpretativo da voz de Rui de Campos, com as suas nuances e inflexões, soube impregnar a atmosfera da emotividade nevrótica, angustiante e plena de suspense, tão peculiar às obras Edgar Allan Poe. A assistência ouvia com atenção e arrepios à mistura.
Depois do fantástico e do insólito, um intervalo para a leitura do poema “Entidade Nocturna”, da autoria do poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues, pela voz de José Veiga (professor).
A sessão nocturna finalizaria com uma imaginativa encenação do poema “O Mostrengo” de Fernando Pessoa, levada a cabo por José Veiga (Prof.), Tiago e Salete (alunos). Os sons estranhos e reverberantes de uma guitarra eléctrica seguidos da voz da narradora, anunciaram o “homem do leme” que, ali mesmo, ousou enfrentar o “mostrengo” de longas e negras vestes, aterrorizador, de máscara à “Commedia dell' Arte”. Por momentos, o mostrengo, cirandando entre o público, assombrou espíritos, não fosse o “homem do leme” ter feito valer o seu arrojo face a tão temível Adamastor. Mas tudo acabou bem, às trevas da noite o riso se impôs e todos, em debanda, iam quiçá pensando em algo sobre as “doçuras ou travessuras?” dessa noite de Halloween. Será que alguém teve pesadelos?