


A noite, essa, trouxe consigo emoções fortes. Pelas 22h30, sala de leitura cheia, lâmpadas apagadas, computadores em descanso e, no escuro, a luz alaranjada da abóbora, iluminada por uma vela tremeluzente, conferia ao momento e ao espaço a tensão própria de quem está para assistir a algo de fantástico e misterioso. A leitura do conto de Poe, graças ao poder interpretativo da voz de Rui de Campos, com as suas nuances e inflexões, soube impregnar a atmosfera da emotividade nevrótica, angustiante e plena de suspense, tão peculiar às obras Edgar Allan Poe. A assistência ouvia com atenção e arrepios à mistura.
Depois do fantástico e do insólito, um intervalo para a leitura do poema “Entidade Nocturna”, da autoria do poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues, pela voz de José Veiga (professor).
A sessão nocturna finalizaria com uma imaginativa encenação do poema “O Mostrengo” de Fernando Pessoa, levada a cabo por José Veiga (Prof.), Tiago e Salete (alunos). Os sons estranhos e reverberantes de uma guitarra eléctrica seguidos da voz da narradora, anunciaram o “homem do leme” que, ali mesmo, ousou enfrentar o “mostrengo” de longas e negras vestes, aterrorizador, de máscara à “Commedia dell' Arte”. Por momentos, o mostrengo, cirandando entre o público, assombrou espíritos, não fosse o “homem do leme” ter feito valer o seu arrojo face a tão temível Adamastor. Mas tudo acabou bem, às trevas da noite o riso se impôs e todos, em debanda, iam quiçá pensando em algo sobre as “doçuras ou travessuras?” dessa noite de Halloween. Será que alguém teve pesadelos?



















