Páginas

14 de outubro de 2007

Folheias um livro...

Como resistir à transcrição de um poema inédito (hoje no P2 do Público) da autoria do poeta, ensaísta, crítico literário, tradutor (soube que foi também professor de Filosofia) Fernando Guimarães, recém galardoado com o Grande Prémio de Poesia 2006 da Associação Portuguesa de Escritores. Como resistir à beleza de um poema que nos remete para essa constatação maravilhosa de que no livro que folheamos, que lemos, na página que fixamos, há todo um sentido que é nosso?
O livro, esse mais que objecto que nas nossas mãos renasce sempre. Sempre!

Folheias um livro

Folheias um livro. Numa das páginas encontras um desenho
que está por concluir. Por alguma razão ficou assim. Talvez
sejam suficientes as linhas ali desenhadas. Numa praia
podem ser vistos alguns vestígios da água. Muitas vezes procuras
descobrir o sentido do que não precisa sequer de estar
junto de ti, porque houve mãos que já o sabiam. De novo a água
atravessa aquelas páginas. Fixas o teu olhar e recebe-la
para que também sejam as tuas mãos capazes desse conhecimento.
Depois
principiaste a ver melhor o que nem sequer existia. Fechas
o livro devagar. O desenho que tinhas encontrado está agora completo.
(inédito de Fernando Guimarães, 2007)

7 de outubro de 2007

Livros versus televisão

Já pensaste no papel da leitura na tua vida? E qual o da televisão?

Segue-se extracto de um texto de William Ospina (“Cidade dos Livros”) para suscitar a reflexão.

“Posso atrever-me a dizer que ler é melhor que ver televisão? Claro que sim, ler é melhor. Porque ler é uma actividade criativa e assistir a programas televisivos nem sempre o é. Durante o breve tempo, a hora e meia que dura um filme, e se o filme for bom, ver televisão pode ser um exercício criativo. Mas aquele que vê televisão durante horas a fio, acaba por se converter num receptor passivo de informações que nem sequer se processam, daí a estranha sensação de vazio que experimenta quando está longo tempo preso ao ecrã. (…) O maior problema da televisão, que acaba por nos mostrar tudo, é talvez o facto de não deixar lugar à imaginação, à criatividade pessoal. Dá-nos as palavras, os cenários, os rostos e as acções. (trad. adaptada) Fig. Tute /La Nación

6 de outubro de 2007

50 anos

Directamente da caixa dos comentários ao post "Sputnik", há uma frase que resistimos a deixar que fique por lá; a interessante observação de um aluno que cruza o cinquentenário do lançamento do Sputnik com o cinquentenário da nossa escola. Nos idos de 50 esta escola começava a formar para a vida gerações de alunos.
Eis a frase com que este aluno brinda a aniversariante.
"50 anos depois do lançamento do primeiro satélite natural da Terra e curiosamente 50 anos depois da inauguração da nossa querida escola.
Parabéns ESAF!"


Obrigado.

Quando nos apetecer... Liberdade...para ler!

A aluna Carla (12º), recorreu a Fernando Pessoa para comentar o post sobre a paixão da leitura. Escolheu "Liberdade" e nós tomamos a liberdade de o transcrever aqui, no corpo do blogue; assim como as palavras com que fecha o seu comentário:
"O poeta que defende a liberdade de não ler pela obrigação mas pelo prazer, pois, "Grande é a Poesia". Os livros mostram-nos mundos para além do Mundo, mostram-nos pessoas, culturas, o Mundo, os sons, as cores, sentimentos... no fundo, mostram-nos o Eu que todos encerramos."

E agora o poema:

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa

5 de outubro de 2007

Qual o som deste poema?

A interacção que tanto se apregoa da net, ou dessas estranhas ferramentas que dinamizam o espaço cibernético, tem destas coisas: não é que cria mesmo interactividade, troca de informação! Pois é, os electrões mostram a sua força e, pela caixinha dos comentários, lá nos chega uma sugestão poética. Venham daí as sugestões, os comentários, o excerto que toca, o texto que guardam, o poema que querem partilhar... O J. Veiga dá-nos a ler Gastão Cruz com um poema da obra "A moeda do Tempo". Sugestão enviada para caixa dos comentários que, reparo agora, é anterior à notícia de ontem que dá conta precisamente que Gastão Cruz (com a obra citada), Mário Cláudio (com "Camilo Broca") e José Pedro Serra (com "Pensar o Trágico"), foram precisamente os vencedores da 28ª edição dos Prémios Literários do P.E.N. Clube Português.
Fica a menção, vamos ao poema:

A LUZ

Um tempo há em que os fantasmas vêm
todas as noites todos os dias
no céu pairar como se nuvens
fossem e nós um mar de safiras frias

A luz contudo sobre nós ainda
vibra o seu sexo bárbaro esculpindo-nos
na pele a história desses dias finda;
e o mar que somos, reflectindo

no céu dos outros nossos corpos vivos,
funde num tempo só o findo e o vivo

Gastão Cruz,
A Moeda do Tempo


4 de outubro de 2007

A paixão pela leitura #1

Num texto soberbo sobre o maravilhoso mundo dos livros, da literatura, da poesia, intitulado "A Cidade dos Livros", o poeta e escritor colombiano William Ospina, celebra como poucos a magia do livro e da leitura; o encanto que encerra uma das marcas mais fascinantes da nossa humanidade. E porque é difícil resistir a muitas das passagens desse texto, eis um pequeno excerto (em tradução livre) que vale de todo a pena desfrutar:

"O livro só vive quando alguém o abre, só começa a falar quando alguém o evoca, só liberta os seus tesouros quando alguém faz despertar a magia que ele encerra. (...) Para aquele que se deleita com a beleza da linguagem, o rigor dos pensamentos, o voo da fantasia, a paixão das histórias, a verdade dos personagens, um livro é tão vasto como uma cidade, tão misterioso como um ser humano, tão imenso como a vida..." _ William Ospina

Sputnik

O facto de ser possível postar esta mensagem hoje, 50 anos depois do lançamento do primeiro satélite artificial da Terra, é devedor desse passo (ao qual se seguiriam tantos mais e mais se seguirão) dado nesse 4 de Outubro de 1957.
Quantos satélites entram em acção para dar seguimento a acções tão triviais como...
- Só um momento... vou atender o telemóvel!

O poeta brasileiro Roberto Pontes escreveu, há muito, aladas palavras sobre o que nesse dia aconteceu:

Hoje eclodiu a chama
o oriente cavalga o cosmos
seu cavalo sputnik
vai sem chouto
a 7 mil km por segundo
rompe a barra magnética
o cinto atmosférico
abre a cortina do espectro
e proclama nova era.

(Roberto Pontes, Teletipo 1957, p.82)

1 de outubro de 2007

Hoje é o Dia Mundial da Música

Sem a música
o que seria a vida?
Imensamente mais pobre;
ou talvez, como nos diz Nietzsche... um erro.
Imaginas-te sem a música...
sem o silêncio que ela evoca?
Frederic Leighton, Music Lesson

Henri Matisse, Music

30 de setembro de 2007

Os livros não se medem aos palmos, mas...

Curiosidades apanhadas na "rede".
Nos inícios de Setembro, foi apresentado na Bienal
do Livro do Rio de Janeiro, um livro que, segundo os organizadores, é tão só o maior livro do mundo! Um objecto com cerca de 1,54 m de largura e 250 Kg de peso, dando corpo a um dos maiores clássicos da literatura de todos os tempos: "O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry (obra que é uma lição sobre a vida e os valores que deveríamos partilhar... para quem não leu valerá a pena lê-lo. Num livro com dimensões mais pequenas, claro!). Ah! Nem de propósito, assinalou-se este ano a passagem dos 60º aniversário da 1ª edição da obra em França. Mais uma nota: sim, este é também um texto para adultos.
Ainda do Brasil, a notícia de que foi apresentado, numa exp
osição de livros religiosos, aquele que dizem ser o livro mais pequeno do mundo - não mede mais que 5mm e é pouco maior que um grão de arroz. Será?!

25 de setembro de 2007

Aprender - Mais e Melhor na Biblioteca Escolar

Já tomamos conhecimento do tema deste ano para a celebração do Dia Internacional da Biblioteca Escolar: Aprender - Mais e Melhor na Biblioteca Escolar.
Desde 1999 que este dia se comemora na quarta segunda feira do mês de Outubro, que este ano ocorre a 22. A celebração de um dia internacional dedicado às bibliotecas escolares é uma forma de chamar a atenção para o papel e importância que as bibliotecas de escola desempenham na formação dos alunos. Segundo investigações levadas a cabo neste domínio, não só os alunos se tornam leitores mais competentes quando frequentam a biblioteca (com impacto no modo como interpretam o que lêem, como apreendem o vocabulário e os seus sentidos, como aumentam as suas competências ortográficas, entre outras), como também, por via do desenvolvimento das diferentes literacias, conseguem atingir melhores resultados.
Se quiseres dar um salto, no ciberespaço, até ao isld 2007, para conheceres melhor o lema deste ano, no original - Learning: powered by your school library basta clicar aqui.

24 de setembro de 2007

Aos recém-chegados

Para ti, que estás pela primeira vez na ESAF (Sim! também para ti que já és da casa há mais tempo) e já tiveste a oportunidade de conhecer um pouco sobre o espaço e as funcionalidades da Biblioteca/Centro de Recursos, aquando da visita com o D.T.; lembramos uma vez mais algumas indicações sobre aquilo que por cá podes encontrar e usufruir, com vista ao apoio e enriquecimento das tuas aprendizagens e da tua formação.
Consulta de manuais e outros auxiliares, livros mais técnicos ou enciclopédias, pesquisa na net, acesso a audiovisuais actuais, leitura de revistas e jornais (na sala mais informal), realização de trabalhos e mesmo participação em actividades lúdicas, empréstimo de livros que ainda estás para descobrir e, quem sabe, deliciar-te (não há como tentar!); tudo isto e algo mais que só a experiência te trará, faz parte do leque de possibilidades que por cá te oferecemos.
Claro que contamos com a tua colaboração para dinamizar, porque a vitalidade da biblioteca não é apenas obra de quem a coordena e de quem cá está para te atender, mas de toda a comunidade educativa.

A Equipa de Coordenação da Biblioteca vai, no decorrer do ano lectivo, lançar-te alguns desafios. Participa!

20 de setembro de 2007

E por que não um blog?!

Este bem pode ser um meio informal de te darmos conta do que na Biblioteca acontece e esperamos que aconteça. Também uma outra forma de interagir: sugerindo leituras, lançando desafios, aguardando sugestões.
De quando em vez uma ou outra reflexão (que, também, pode e deve vir desse lado); e, sempre que possível, dicas sobre como tirar partido deste espaço - centro de recursos, parceiro que é na tua formação.
Contudo, a par dos objectivos e motivações pedagógicas que movem uma biblioteca escolar, há uma outra que nos remete ao princípio, uma que não pode nunca deixar de estar presente, a vontade de ver crescer (para alguns, despertar) o verdadeiro prazer de ler.
Vamos a isso?
Sem imposições, apetece-nos recorrer às palavras de Daniel Pennac :

"Leitura-dádiva.
Ler e esperar.

Não se força a curiosidade, desperta-se.

Ler, ler e confiar nos olhos que se abrem, nas caras que se regozijam, na pergunta que vai nascer e que levará a outras"
(Daniel Pennac, Como um Romance, Trad. Francisco P. Boléo; Edições Asa, 1993, p.122)

Um bom ano lectivo!
Boas pesquisas, boas leituras.
Bons resultados.

A Equipa de Coordenação