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15 de maio de 2018

Li, gostei e recomendo... a palavra aos leitores

O que nos diz Marisa Viana, aluna do 10.º C da ESAF, sobre este livro que leu, gostou e recomenda...


Título: Trash - os rapazes do lixo
Autor: Andy Mulligan
Editor: Editorial Presença
Coleção: Diversos Literatura
N.º de págs.: 200
Ano de publicação (pt) : 2014
Categoria: Romance juvenil



“Das obras que li recentemente, a que mais me fascinou foi “Trash - Os rapazes do Lixo”, de Andy Mulligan. Trata-se de uma emocionante e absorvente história de três rapazes que vivem numa lixeira em Behala e que dependem do lixo para sobreviver. Certo dia, encontram uma mala que os irá conduzir por uma perigosa aventura. No entanto, estes jovens não desistem e conseguem, finalmente, revolucionar a vida miserável dos habitantes de Behala.
Com uma linguagem simples e acessível, este livro surpreendeu-me, pois demonstra a coragem e astúcia de três rapazes que procuram justiça, devolvendo o dinheiro aos pobres. Na minha opinião, a autora teve a feliz ideia de trazer até nós uma obra cuja temática tão abrangente, a justiça social, nos faz mergulhar numa sociedade corrupta, em que nenhum valor moral se encontra acima dos valores materiais.
A autora triunfa, de facto, já que coloca nas mãos de três miúdos um valor tantas vezes esquecido pelos adultos, a justiça. É um livro que tem, sem sombra de dúvida, um efeito dominó nos leitores mais jovens e é, decididamente, um primeiro impulso para uma leitura compulsiva e viciante.
Em suma, não obstante seja um livro destinado a leitores mais jovens, estou ciente de que qualquer adulto o gostaria de ler. Por essa razão, eu recomendo-o a qualquer pessoa, visto que, no meu caso, mudou claramente a minha perspetiva acerca do mundo e da realidade humana, permitindo-me observar o dia-a-dia com outros olhos.”

19 de abril de 2017

Li, gostei e recomendo... a palavra aos leitores

O que nos diz Cristina Gomes, professora na ESAF, sobre esta narrativa não-ficcional e testemunhal que leu, gostou e recomenda...


O fim do homem soviético - um tempo de desencanto
Autor: Svetlana Aleksievitch
Editor: Porto Editora
N.º de págs.: 472
Ano de publicação: 2015
Categoria: literatura documental

"Ler O fim do homem soviético confirma a minha convicção de que a literatura supera os livros de História na compreensão de uma época, pois revela a alma de um povo.
Como explicar que a alma soviética resistiu durante tantas décadas às vicissitudes do Comunismo marcado por guerras, pela fome, pelo gulag, pelo absurdo e pela morte em nome de um ideal?
Síntese de literatura documental e literatura de ficção, Svetlana Aleksievitch, Prémio Nobel de Literatura em 2015, num trabalho de reescrita admirável, dá voz a homens e mulheres das várias regiões da antiga União Soviética. Tece uma manta de retalhos, vozes na primeira pessoa, depoimentos daqueles que viveram durante esse período: mães, soldados, órfãos, generais, intelectuais, deportados… As vítimas contam como eram denunciadas sem razão, como sobreviveram aos gulags, como se alimentaram de raízes e de folhas e como lamberam pedras nas terras geladas da Sibéria para enganar a fome ou ainda como eram mandadas para a guerra contra os nazis sem armas e sem agasalhos e denominadas de traidoras do povo se se entregassem ao inimigo em vez de lutar pela Pátria até a morte. Contam também como eram amantes da literatura, como se deliciavam a conversar horas nas cozinhas, como cantavam hinos soviéticos com fé e orgulho. Não compreendem porque foram merecedoras de tanto sofrimento, contudo nunca questionam as razões do Partido, nunca acusam o pai Estaline, nunca se revoltam. Foi simplesmente o seu destino, a parte que lhes tocou, à semelhança de milhares que partilharam o mesmo sofrimento. É preciso reconstruir, mas não esquecer.
“Tomar o sofrimento nas próprias mãos, dominá-lo completamente e sair dele, trazer de lá alguma coisa. Isso é uma grande vitória, só isso faz sentido. Não saímos de mãos vazias… De outro modo, para quê descer ao inferno?”
O fim do homem soviético - Um tempo de desencanto revela um povo que não foi ensinado a viver na liberdade e na felicidade (partindo do princípio de que a liberdade e a felicidade são duas faces da mesma moeda), ao contrário do ocidental, que vive convicto de que os seus direitos fundamentais estão garantidos.
Seria bem mais fácil e consolador encarar a História como uma verdade, a luta entre vítimas e carrascos, mas o drama é que a verdade é fragmentada, não há fronteira entre o bem o mal; todos participaram no horror, desde os que denunciaram os vizinhos, os amigos ou mesmo os próprios filhos àqueles que cumpriram cega e orgulhosamente as ordens de prisão, de tortura e de morte num mundo em que Deus já não tinha voz porque a voz do Partido era tudo.
A originalidade da obra está no facto de não haver juízos de valor, nem acusações; não é um processo e muito menos um mea culpa. Durante o Comunismo os soviéticos acreditavam numa causa, inebriados pelo orgulho de estar a construir o futuro da humanidade, tinham como missão mostrar ao mundo o caminho da salvação, libertando-o do capitalismo bárbaro. Por isso, o sofrimento, as privações, a negação da individualidade, o sacrifício eram aceites e, pior, legitimados.
Mergulhar na alma soviética, ouvindo histórias da grande História, é suportável enquanto somos simples voyeurs desse passado. O problema é quando o passado parece confundir-se com o presente e anunciar um futuro sem retorno, não o do vizinho, mas o nosso futuro. Fica um arrepio, uma sensação de déjà-vu….
Não deixo de ver semelhanças com algumas vozes portuguesas daqueles que viveram durante o Estado Novo e que, apesar de terem conhecido a miséria, alimentam a saudade de tempos em que não havia os muito ricos e os muito pobres. Contam fome, doença, trabalho de sol a sol, sobrevivência, medo, mas também lembram solidariedade e igualdade no sofrimento e nas privações, lembram a luta do dia a dia, lembram a fé consoladora num Deus que os punha à prova, sem os castigar.
Vivências de homens e mulheres que cresceram no horror, em regimes totalitários e a quem foi negada a liberdade. No entanto, o mais surpreendente é a capacidade do homem em sobreviver, sedento sempre de acreditar em algo que faça sentido, de preencher a vida com uma utopia, uma religião, uma paixão … e alguém (Marine Le Pen? Putin? Donald Trump?) lhes promete esse sonho… e a História repete-se… Subida do populismo…
Terá chegado o fim do homem soviético?"

[livro disponível na biblioteca]

31 de março de 2017

Tertúlia sobre livros e leituras

Da paixão pelos livros e pela leitura.
Uma tertúlia à volta dos livros, com partilha de leituras, gostos, pontos de vista, afinidades... ontem à tarde (30/03), na sala de leitura da Biblioteca da ESAF.
Não se dá pelo tempo passar quando a conversa roda em torno dos livros!


[ Semana da Leitura 2017 ]

19 de setembro de 2011

O deus das moscas - sugestão de leitura

Autor: William Golding
Editor: Público
Colecção: Mil Folhas
Páginas: 222
Ano de publicação: 2002
ISBN: 84-8130-506-5
(Ler+ - livro recomendado pelo PNL - Plano Nacional de Leitura) 
Disponível na biblioteca.


[Primeiro parágrafo]

"O garoto de cabelo cor-de-mel agachou-se, deixou-se escorregar ao longo do último troço do rochedo e encaminhou-se para a lagoa. Embora tivesse tirado o blusão, parte do seu uniforme escolar, e o arrastasse agora pela mão, a camisa cinzenta colava-se-lhe à pele e o cabelo encodeava-se-lhe na testa. À sua volta, a funda clareira rasgada na selva era um banho de calor. Rompia pesadamente por entre as lianas e os troncos quebrados, quando um pássaro, uma visão de vermelho e amarelo, cintilou numa fuga para o alto com um grito de feitiço. A este grito o eco respondeu com outro." (in O Deus das Moscas, p.5, Ed. Público, 2002)
....
Serve a evocação do centenário do nascimento do escritor inglês William Golding (19 set. 1911 / 19 jun. 1993), a quem a Academia Sueca atribuiu, em 1983, o Prémio Nobel da Literatura,  para sugerirmos uma obra marcante na história da literatura universal do séc. XX, que possuímos no fundo documental e cuja leitura recomendamos vivamente. Trata-se do livro: "O Deus das Moscas" (The Lord of Flies), obra lida por sucessivas gerações de leitores em todo mundo, sendo que só nos países de língua inglesa regista mais de "14 milhões de cópias vendidas" (vide badana da capa da edição Público, Col. Mil Folhas, 2002), fora as inúmeras traduções em muitos países. 
Com uma carga alegórica notável, Golding empreende, neste romance de fascinante perturbação, uma viagem à natureza do mal, da violência selvática, do poder, que emerge entre os humanos em situações limite, pondo em causa o equilíbrio racional que sustenta a convivência social. A obra foi publicada em 1954, não muitos anos após a horrível II Guerra Mundial, e não esconde alusões alegóricas à ordem social e política, ao modo como se organizam social e politicamente as relações societais entre humanos, nem tão pouco esconde a sua dimensão pessimista. No cerne da narrativa está um grupo de meninos e rapazes, alunos de um colégio, que, na sequência da queda do avião (onde seguiam) numa ilha deserta, vêem rapidamente desmoronar-se as traves racionais e de civilidade que sustentam as relações nas sociedades estáveis e socialmente equilibradas, enquanto o instinto de agressividade e a ânsia de poder e domínio entre pares se sobrepõe paulatinamente. 
Este é um romance que, na aparente aventura de um grupo de jovens "náufragos" numa ilha perdida, fora do alcance da autoridade dos adultos, com a "liberdade" pela frente, vemos ser postos em causa ideais e princípios sobre os quais assentam as traves mestras da civilização, e onde a solidariedade e a cooperação entre pares é fortemente abalada. Uma narrativa que, contando uma história com tudo para ser plena de aventuras num local paradisíaco, enceta uma viagem aos recônditos mecanismos da nossa natureza quando confrontada com os limites, desde logo os da sobrevivência. Não é uma narrativa fácil, nem de entretenimento, antes um texto muito bem escrito, bem concatenado, e, claro, que suscita o pensar e nos impele à reflexão e talvez a olhar o mundo e o "outro" de um outro modo. Ao longo destas páginas que prendem, do início ao fim, haverá com certeza momentos de meditação no decurso da viagem. Quer encetá-la?

24 de agosto de 2011

Jorge Luis Borges e a biblioteca

 “Yo siempre me había imaginado el Paraíso bajo la especie de una biblioteca

Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca”, tradução livre de uma frase de Jorge Luis Borges, inscrita na pág. 53 da obra “Siete Noches” (Editorial Meló, México, 1980), no capítulo (VII) intitulado “La ceguera”, livro  que reúne sete conferências de Jorge Luís Borges proferidas no Coliseo de Buenos Aires, decorria o Verão de 1977. Sobre esse livro, de onde retiramos a citação, disse Borges ser o seu texto testamento, pois toca os temas que mais o obcecaram.  
Jorge L. Borges, de quem se diz possuir ascendência portuguesa (por parte do bisavô, Torre de Moncorvo, séc. XVIII) e visitou o nosso país em 1921 e 1984, encarna, com toda a eloquência, a figura de grande leitor, aliás, sempre deu a entender (nas palavras de Roy Bartholomew) que desde jovem o seu destino passou pela literatura, primeiro como leitor e só depois como escritor.
Jorge L. Borges é hoje evocado pelo mais utilizado motor de busca da Internet, pois a 24 de Agosto de 1899 nascia (Buenos Aires, Argentina) um dos mais notáveis escritores e ensaístas argentinos (faleceu em Junho de 1986, Genebra), mundialmente reconhecido, amante da literatura e dos livros, tendo sido também bibliotecário.
A frase citada é vastas vezes referenciada no mundo das bibliotecas e por bibliotecários de todo o mundo, e tem um encanto inexcedível.

27 de junho de 2011

Parabéns, Gonçalo M. Tavares!



Foi com imenso prazer que dissemos, em 13 de Dezembro de 2010, aquando do encontro com Gonçalo M. Tavares aqui na nossa biblioteca escolar, num breve texto de apresentação deste grande escritor a muitos elementos da comunidade educativa, que era um privilégio para nós ouvi-lo “falar da literatura e talvez da teimosia desta em continuar a surpreender-nos 2500 anos depois de Homero (com autores como Gonçalo M. Tavares, por exemplo)”. E confirmou-se (o privilégio).
Foi com imenso prazer que aproveitámos, naquele encontro memorável (relembrar aqui), a performance de leitura encenada, levada a cabo por alunos e alguns professores da escola, de uma sequência de momentos (previamente seleccionados) dessa "íntima viagem em fuga, a de Bloom, ao coração de uma derradeira utopia, mais devedora de uma projecção individual e interior do que de uma realidade paradoxalmente inatingível (matéria de todas as utopias)" (jd). Referimo-nos a essa fascinante obra, publicada no ano passado, que leva o título: Uma Viagem à Índia.
É com imenso prazer que, aqui e agora, fazemos eco de uma notícia de hoje: 
Gonçalo M. Tavares venceu, com Uma Viagem à Índia, o Grande Prémio de Romance e Novela atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores (APE)/Ministério da Cultura, depois de já ter recebido, pela mesma obra, o Prémio Melhor Narrativa Ficcional 2010 (da Sociedade Portuguesa de Autores) e o Prémio Especial de Imprensa Melhor Livro 2010 (Ler/Booktailors).
Parabéns, Gonçalo!

22 de maio de 2011

"Frei Luís de Sousa - uma leitura cénica" e "Utopia e Miopia"

Na tarde de quinta e manhã de sexta-feira, a BE contou com a intervenção do actor e encenador Paulo Lages que dinamizou dois ateliês de expressão dramática em torno da representação/figuração de textos literários, nomeadamente: Frei Luís de Sousa (de Almeida Garrett) e As Cidades Invisíveis (do escritor italiano Italo Calvino).
Dois momentos de leitura cénica que envolveram jovens participantes, duas turmas do ensino secundário, no jogo da representação; dois momentos (com cerca de 3h horas cada) que não deixaram de ter componentes de "sério divertimento" como também "colocação de alunos em situação de intérpretes". 
Estes ateliês não se ficaram só pela abordagem cénica das obras citadas, mas também integraram, na sua dinamização, aspectos ligados à análise literária e histórico-literária. No caso da sessão designada Utopia e Miopia, houve tempo para uma viagem às origens da Utopia com referências à República de Platão, à cidade idealizada pelo filósofo, convocando Sócrates, como também, e saltando no tempo (até ao séc. XVI), referência a Thomas More e a uma das suas incontornáveis obras - Utopia, e também George Orwell (já no séc.XX) com a distopia (pesadelo do big brother) - "1984".
Momentos de cultivo!

11 de maio de 2011

Sugestão de leitura

Aproveitando a passagem pela nossa escola do ilustrador e escritor Afonso Cruz, no âmbito das actividades da 3.ª ed. do MARTE [Mostra de Artes Visuais da Escola Sec. Alcaides de Faria] - excelente programa, recheado de múltiplas iniciativas e com artistas convidados reconhecidos no meio artístico nacional e internacional - sugerimos uma das suas obras escritas, a deliciosa história de Elias Bonfim, filho de Vivaldo Bonfim, na sua viagem pelo mundo da literatura. 
Chama-se o livro: "Os Livros que Devoraram o Meu Pai - a estranha e mágica história de Vivaldo Bonfim" e podes encontrá-lo na biblioteca da escola.
Aqui fica uma curta sinopse:
"Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo. Esta é a sua verdadeira história — contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras."

8 de dezembro de 2010

Gonçalo M. Tavares - O escritor vem à escola

Gonçalo M. Tavares é incontornavelmente um dos autores mais conceituados da nova geração de escritores de Língua Portuguesa.
Gonçalo M. Tavares é um grande escritor. Ponto. 
[passe o cliché subjacente ao primeiro parágrafo…]
Gonçalo M. Tavares escreve livros fascinantes. Perceberão o fascínio da sua escrita e do seu universo quando o lerem! "Fica a deixa" para aqueles que, porventura, ainda não tenham visitado o bairro ou o reino (quais topos literários), ou outros objectos magníficos como Uma Viagem à Índia. E é esse universo, esse outro espaço-tempo que a sua escrita gera, que talvez nos seja permitido entrever um pouco, quando por cá passar, ele mesmo – o autor, já na próxima segunda-feira, 13, pelas 14h (na biblioteca escolar).

Fica o convite à comunidade educativa da ESAF.
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  Fonte: Lilacdays (Teresa Sá)
Sobre o autor:
Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Nos últimos dez anos escreveu dezenas de livros (onde se contam romances, ensaio, conto e poesia) muitos deles já editados em trinta e cinco países, estando em curso cerca de 160 traduções. Detentor do Prémio José Saramago, de 2005; do prémio Ler/Millenium BCP 2004; do grande prémio da APE - “Camilo Castelo Branco – 2007; do Prémio Portugal Telecom (também de 2007); do Internazionale Trieste 2008, entre outros; acaba de lhe ser atribuído o prestigiado “Prix du meilleur livre étranger”, publicado em França (2010), pelo seu romance Aprender a Rezar na Era da Técnica.

Bibliografia (não exaustiva):
 1 (2004), A colher de Samuel Beckett (2003), Livro da dança (2001), Breves notas sobre ciência (2006), O Senhor Valéry (2002), O Senhor Henri (2003), O Senhor Brecht (2004), Jerusalém (2005), Água, Cão, Cavalo, Cabeça (2006), O Senhor Walser (2006), Aprender a rezar na Era da Técnica (2007), O Senhor Eliot e as conferências (2010), Matteo perdeu o emprego (2010), Uma Viagem à Índia (2010)...

Uma Viagem à Índia

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E os poetas desapareceram.
De facto, o que alguém quis dizer,
e tinha razão, foi que a poesia limpa e belíssima é inaceitável
depois do que os homens fizeram a outros homens
no século xx. É um facto, as palavras
delicadas são inaceitáveis. Mas não esquecer o resto?
Apesar de tudo, bater dói mais do que dizer que se vai bater.
                                           (Canto V, Uma Viagem à Índia, p.226)

30 de novembro de 2010

Gonçalo M. Tavares

Quase, quase, a chegar às bancas e já nos apetece LER.
Em Dezembro, contámos com a sua presença... a dele, do Gonçalo M. Tavares.
Sabem onde?
Entretanto, seguimos Bloom!

24 de novembro de 2010

Prix du meilleur livre étranger 2010

Enquanto aguardamos, com ânsia, o encontro com o escritor, aqui na nossa biblioteca, lá para Dezembro; enquanto viajamos com Bloom e interagimos com alguns imprescindíveis do Bairro... lemos, nas notícias, que "le prix du meilleur livre étranger" publicado em França (2010), foi atribuído ao romance Aprender a Rezar na Era da Técnica (Apprendre à prier à l`ère de la technique), de Gonçalo M. Tavares, vertido para o francês por Dominique Nedellec (publicação: Editions Viviane Hamy).
O prémio du meilleur livre étranger foi criado em 1948. De entre os premiados, encontramos nomes de reputados autores da literatura mundial: Lobo Antunes (1997), Musil (1958), Bioy Casares (1979), Updike (1965), Philip Roth (2000), Peter Carey (2003), Pamuk (2002), Mário Vargas llosa (1980), Kawabata (1961), Durrel, Carpentier, Canetti... entre tantos outros.
Aprender a Rezar na Era da Técnica, foi editado, em 2007, pela Caminho
Parabéns Gonçalo!

24 de outubro de 2010

Letras e Cores, Ideias e Autores da República - para ler e reler / ver e rever na Biblioteca




Letras, Cores, Ideias e Autores da República - a exposição produzida pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB) / Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, chega à nossa escola, por via da profícua colaboração que a Biblioteca Municipal de Barcelos (BMB) mantém com a Biblioteca Escolar da ES/3 Alcaides de Faria (de resto, colaboração extensível às demais bibliotecas escolares do concelho). Ora, em ano de centenário, em ano de biblioteca "nova" também, nada melhor que o novo espaço (dois pisos, com mezannine) para receber esta exposição que, por via de um conjunto de ilustrações e textos literários e ensaísticos a propósito, evoca e celebra a República, numa abordagem plástica e literária, bem a quadrar-se com o universo cultural e humanístico dos ideais e valores republicanos. E, por que não dizê-lo, bem a quadrar-se com o espaço de uma biblioteca - local de encontro com a informação, o conhecimento e o saber; local de descobertas, de aprendizagens e de cultura.
Letras, Cores, Ideias e Autores da República -- estrutura-se num conjunto de 10 cartazes (a bem dizer 11, se contarmos com o multicolor cartaz que abre a exposição), em itinerância por múltiplos locais de cultura, quer nacionais quer estrangeiros, resultante do cruzamento entre  arte plástica de hoje e textos de época alusivos ao tema.
Tendo como ponto de partida textos de autores que marcaram a cultura humanístico-literária em Portugal no final do século XIX e início do século XX (Guerra Junqueiro, Aquilino Ribeiro, José Rodrigues Miguéis, Abel Botelho e Tomás Fonseca, Leonardo Coimbra e Manuel Laranjeira, Virgínia de Castro Almeida e Ana de Castro Osório, Almada Negreiros, Jaime Cortesão, Raul Brandão e excertos das revistas Renascença, Orpheu e Seara Nova), dez ilustradores nossos contemporâneos (João Vaz de Carvalho, Afonso Cruz, Bernardo Carvalho, Marta Torrão, Teresa Lima, Rachel Caiano, Jorge Miguel, Carla Nazareth, Gémeo Luís, Alex Gozblau) tratam graficamente dez temas representativos do contexto social, político, cívico e cultural da época: Ultimatum, Monarquia, 5 de Outubro, Igreja, Educação, Mulheres, Modernismo, Grande Guerra, Chiado e Revistas.

Exposta no piso 2 da Biblioteca Escolar, de 23 a 29 de Outubro/2010 (com a possibilidade de retornar mais tarde), a mostra constitui-se como um motivo (há tantos outros, claro) para que professores, alunos e outros actores da comunidade educativa, a visitem e cruzem leituras, ora gráficas ora literárias, em torno da República, da sua implantação, mas também do apelo cívico que todos os dias ela emana, rumo a uma consolidação que jamais se finaliza, antes se constrói.


23 de agosto de 2010

Pessoa - revista de literatura lusófona

Vale a pena folhear online (mesmo descarregar em pdf) esta nova revista literária, publicada no outro lado do Atlântico, que fala português e chega até nós graças ao largo mundo da Internet.
Editada online e em suporte papel, a revista PESSOA (n.º Zero - Ago-Set-Out/2010) teve lançamento oficial no passado dia 20 de Agosto, na Bienal de S. Paulo (Brasil). Nas palavras da sua editora executiva, Mirna Queiroz, a revista "pretende ser uma plataforma  de integração da literatura em língua portuguesa, dispersa entre a América do Sul, Europa, África e Ásia” (conferir aqui).
Eis um recurso online que terá todo o interesse seguir. Numa primeira e rápida viagem pelas páginas desta publicação, saltou-nos à vista um bom conjunto de textos (aos quais voltaremos), poemas de autores lusófonos, breves ensaios sobre F. Pessoa e o seu universo e até uma interessante BD - "Pessoinha - Fernando Pessoa em quadradinhos"
Contando que ainda estejas por aqui, é já  tempo de saltar até
Boas leituras!

23 de fevereiro de 2010

Sessão literária - Quando falamos de amor

© Cartaz Pedro Rodrigues
Leitura encenada de poemas de amor.
De Garrett a F. Pessoa, passando por Torga e Eugénio de Andrade, entre tantos outros grandes poetas da nossa língua, uma viagem aos afectos que o amor acolhe - hoje, pelas 21:30 na BE.

21 de fevereiro de 2010

Utopia e Ciência - palestra na Biblioteca

JD - Folheto elaborado com base num fotograma de Metropolis
Esta quarta-feira à noite, 24.Fev., damos espaço à utopia.
Palestra a cargo da Prof.ª Doutora Fátima Vieira, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Saiba mais sobre a autora aqui.

Um bom motivo para passar um princípio de noite diferente na biblioteca... rumo à utopia.

10 de janeiro de 2010

Porquê ler os clássicos?

"Um clássico é um livro que nunca acabou de dizer o que tem a dizer" _ Italo Calvino
Vem este post a propósito de um outro publicado antes, na rubrica "li, gostei e recomendo... a palavra aos leitores" (que tem sido alimentada por aqueles dos nossos leitores e amigos dos livros - alunos utilizadores da BE que requisitam, na modalidade de empréstimo domiciliário, e partilham com os demais o gosto e o prazer que a leitura lhes suscita). Nesse post, a aluna Bárbara Monteiro remete-nos para o gosto que lhe deu ler a Odisseia de Homero (na versão adaptada para os jovens pela pena do classicista Frederico Lourenço, também ele escritor e tradutor de recentes publicações, no nosso meio, dos clássicos gregos: a Ilíada e a Odisseia). A recensão pessoal do livro - "A Odisseia de Homero adaptada para jovens por Frederico Lourenço", que a leitora nos remeteu, fez com que, como que por uma espécie de clique, nos relembrássemos de um outro "clássico" (a propósito, recentemente reeditado pela Teorema) que nos fala justamente sobre os clássicos em brilhantes ensaios sobre livros eternos, de autores eternos, marcas indeléveis na História da Literatura. Falamos do clássico "Porquê ler os Clássicos?", do incontornável Calvino, esse o de "As cidades invisíveis", "Palomar" e, entre outros títulos conhecidos, "Se numa noite de Inverno um viajante". Ora, a propósito dos clássicos e, já agora, da dita recensão, elegemos e sublinhamos duas das catorze propostas de definição (ou premissas de ensaio) que Italo Calvino nos oferece no livro cujo nome títula este post. Diz-nos o autor:
"13. É clássico o que tiver tendência para relegar a actualidade para a categoria de ruído de fundo, mas ao mesmo tempo não puder passar sem esse ruído de fundo.
14. É clássico o que persistir como ruído de fundo mesmo onde dominar a
actualidade mais incompatível". Italo Calvino, Porquê Ler os Clássicos? Lisboa, Editorial Teorema, 2009. p.12

Folgámos pois com a recensão que nos chegou, que tal como a nossa aluna, também esperámos, possa suscitar a curiosidade leitora.
Fica o desafio. Continuem a mandar as vossas recensões para o e-mail da biblioteca ou, se quiserem, deixem o texto no balcão de atendimento.
Boas leituras.
Ah! Entre os contemporâneos encontrarás também os "clássicos" nas nossas estantes.

9 de janeiro de 2010

Li, gostei e recomendo... a palavra aos leitores

O que nos diz Bárbara Monteiro, aluna do 12.º J, sobre este livro que leu, gostou e recomenda:

A Odisseia de Homero adaptada para jovens

Autores: Frederico Lourenço (e Richard de Luchi - Ilustrador)
Editora: Cotovia
Ano de publicação: 2005
N.º de págs.: 332
Temática:aventura, viagem

"Após a leitura desta obra atribuída a Homero, adaptada por Frederico Lourenço, fiquei a perceber a razão deste classicista de formação ter merecido o prémio D. Dinis da Casa de Mateus, pela tradução da Odisseia de Homero. Porquê?
Imaginem o que será alguém transformar Os Lusíadas numa obra extremamente acessível, em prosa, sem necessidade de recorrer a interpretações subjectivas do que está escrito.

Frederico Lourenço atingiu um feito ao adaptar esta obra prima da literatura ocidental, permitindo a sua leitura sem deturpar a história nem a transformar num livro de criança enfadonho e desinteressante. Este autor consegue manter o leitor interessado, e falo por experiência própria, pois tive que me impor um limite no decurso da leitura.

Acima de tudo, a “Odisseia de Homero adaptada para jovens” é realmente um livro fascinante. Para além de toda a parte mitológica e surreal, transmite-nos uma mensagem importantíssima de coragem, determinação, persistência, ambição, paciência e inteligência, por parte de Ulisses que tenta regressar à pátria, depois do feito por ele realizado em Tróia que contribuiu para o final da guerra, como das aventuras que teve de viver e ultrapassar. Essa mensagem mostra-nos que face a acontecimentos devastadores, desoladores e completamente incapacitantes para a maioria do comum mortal, a esperança deverá manter-se como verdadeiro e único impulso motivador.

Em suma, a minha apreciação do livro, enquanto aluna do 12º ano, é uma apreciação deveras positiva. A Odisseia de Homero… é indubitavelmente um dos livros mais interessantes que já li e dos melhores concebidos, sabendo que teve por base uma tradução para o português a partir do grego clássico."